quinta-feira, 22 de outubro de 2009
lula, jesus e os fariseus....
Ainda sobre a apresentação do quarteto... aprofundando...........
Como intérprete, venho pensado na natureza e na função da música a muito tempo, mas são acontecimentos como a apresentação do quarteto de clarinetas que evidenciam pra mim essa questão de forma mais convincente. Frequentemente se vê-ouve-lê nos meios de divulgação sobre o "poder terapêutico" da música, que pode ser traduzido no caso da apresentação do quarteto de clarinetas que mostrei antes como uma idéia excelente, já que a música serviria para "acalmar" e "trazer conforto à alma". Ou ainda, no caso clássico em que uma escola resolve combater a violência com aulas de flauta doce, cuja apresentação dos alunos tocando é, evidentemente, a superfície demonstrável do processo. Como não podia deixar de ser, essas apresentações são "prato cheio" nas matérias veiculadas na tv sobre o assunto, quando é o caso. A ironia é a exposição de alunos com habilidades não plenamente desenvolvidas como um processo acabado, com um fim em si mesma, com um resultado sonoro que chega a ser "violento" em certos casos... (felizmente não foi o do quarteto, que fique claro...).
A beleza é uma qualidade intrínseca da música em si, mas reduzir a diversidade do que ela pode exprimir nisso é ter uma atitude muito pequena... incompleta mesmo. Como é incompleto (ou não se coloca na perspectiva correta) quando se afirma que a música têm como função principal "acalmar", "desestressar", "relaxar" as pessoas do inferno diário e da correria dos grandes centros... para as pessoas que buscam na melodia romântica a razão de ser e de sentir da experiência musical, é claro que a música contemporânea vai parecer um monte de ruído sem sentido. Aliás, o mesmo é válido para a música de outras culturas que não a nossa, mas também a pintura e a escultura, para citar dois exemplos próximos...
Penso como músico que existe uma função social importante com aquilo que faço e que não me admira que essa função seja praticamente ignorada pelos investimentos estatais, tanto quanto por certos segmentos da sociedade em si por pura conveniência... é muito melhor que as artes em geral sejam encaradas como formas de distração, diversão, ou pior, "entretenimento" (detesto essa em particular), do que como uma forma de expressão legítma, como um testemunho vivo, real e presente de um legado (na maioria das vezes ainda que póstumo) de mulheres e homens com suas alegrias, mas também medos, angústias, dúvidas; vista dessa forma, a música e as artes em geral podem levar a perguntas silenciosas que, embora não sejam pronunciadas na maioria das vezes, são embaraçosas e questionam muito daquilo que é imposto ou pré-estabelecido.
Faça uma experiência: ouça uma obra chamada "Quarteto para o fim dos tempos" (no original em francês, Quatuor pour la fin du temps), do compositor francês Oliver Messiaen. Nas primeiras audições, devo admitir que já achei a peça uma chatice total. Todos os oito movimentos (I, II, IV, V, VI, VII, VIII) me passaram uma impressão de profunda angústia desde o começo. Mas então, eu tive contato com o contexto da sua produção e do compositor; religioso devoto, Messiaen estava preso num campo de concentração nazista quando compôs e estreou-a (aliás, com os músicos disponíveis na ocasião), exatamente em 15 de janeiro de 1941. Num local desses, com dor, a tortura, e a proximidade com a morte tão eminente, é possível imaginar o ambiente em que foi executada. Desde então, o quarteto de Messiaen é pra mim um testemunho que se renova a cada performance; um lembrete do que já fomos capazes de fazer enquanto espécie... e do que ainda fazemos hoje (não sei você, pra mim é impossível não ouvir a obra sem me transportar pra o ambiente lúgubre em que foi escrita; e a pergunta seguinte é: afinal, que necessidade havia naquilo tudo?)...
Numa parcela muito menos intensa, mas não menos importante, eu percebo que a comoção causada pela apresentação do nosso quarteto de clarinetas no hospital que citei antes (com ambições infinitamente mais modestas...), não se deve só à "beleza" das melodias. Pessoalmente, acredito que o choro ou o riso nessas ocasiões trazem à tona as emoções que sempre tivemos; nossa alegria e saudade, nossa tristeza, nossos medos, a nossa incapacidade nata de lidar com a perda de alguém próximo, querido... nossa incompreensão diante do sofrimento de pessoas boas que conhecemos, e na prosperidade de quem deseja esse sofrimento nos outros ("a justiça é moral, a injustiça não." Ferreira Gullar)... e considero até legítimo sentir a necessidade de fuga, buscando paliativos que nos façam esquecer, como algumas das mais mirabolantes e primitivas crenças e supertições, o álcool e as drogas em excesso, Richard Clayderman...
Entretanto, isso é um grande engano, porque negar a nossa complexidade paradoxal não nos torna mais simples e menos difíceis de entender. E isso também é aplicável nos vários aspectos da vida, dos quais a música é parte integrante...
Frequentemente, embora a manipulação deliberada tente esconder ou extirpar a complexidade musical, acordes dissonantes "perturbam" a homogeneidade melódica e a igualdade ritmica é "pervertida" pela pluralidade de pulsações quase tribais. Uma música que incorpora as mais perfeitas consonâncias mas também as dissonâncias mais terríveis e insolúveis, é também aquela que incorpora a beleza mas também a angústia, a calma e a tranquilidade mas também a revolta e o desânimo, a felicidade mas também a incerteza e a decepção. Não se trata simplesmente de oferecer conforto, criar a ilusão do bem estar... mas de mover nosso ponto de equilíbrio para longe do nosso habitual, mexer em hábitos e regras sociais estabelecidas não se sabe por quem e que são descabidas atualmente, bem como "desacreditar" crenças sedimentadas com base em impressões e imposições dos outros e sem razão aparente.
Nesses sentido, as artes oferecem uma visão de mundo muito mais robusta que aquela fornecida por instituições sociais caducas, ou pelo consolo frágil da religião. Quando pisam em você, a calma de um monge budista é tudo o que você NÃO QUER... quando a tristeza e a saudade apertam, nós eventualmente choramos, e o choro não "purifica" nada... como diz Ferreira Gullar, o sofrimento não tem valor algum, não acende um halo em torno da nossa cabeça, nem nossa dor é especial se comparada a todos os que sofrem no mundo; pessoas, os outros animais, criaturas microscópicas com minutos de vida... apenas parte do que somos é permitido entender pelas perspectivas tradicionais, já que as normas sociais reprimem nosso lado selvagem e indomável e a religião o nega. As artes nos colocam diante do que realmente somos, sem mentiras, sem redenção... não há ninguém para culpar quando a decisão é toda nossa, com seus desdobramentos bons e ruins.
Pode ser duro demais ver a vida dessa forma, e até um erro; mas é só assim, errando de verdade que se aprende de verdade.
Tocar pode e deve ser diversão, mas isso não implica dizer que sua importância é diminuída por isso. O trabalho incessante de intérpretes, sejam instrumentistas ou cantores, compositores, pesquisadores e estudiosos dos mais variados aspectos da produção musical é uma contribuição gigantesca ao nosso desenvolvimento, e é muito pouco reduzi-la a "música dos anjos". É ela que nos afasta da barbárie, embora não a negue; é bem verdade que não nos torna santos através da negação, mas nos aproxima do que realmente somos através do enfrentamento...não é à toa que ela deve ser posta de lado, com recursos escassos e campanhas veladas que a ridicularizem enquanto profissão (a tal ponto que muitos músicos acreditem nelas).
O paradoxo aqui é que, historicamente, as sociedades que mais desdenharam do valor legítimo da expressão artística, especialmente a musical, foram as que mais precisaram dela.
domingo, 18 de outubro de 2009
Recital do grupo de Clarinetas da UFBA




domingo, 27 de setembro de 2009
"United Breaks Guitars"
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Ouvido "Obsoleto"
Só para fins de comparação (para os "ouvidos relativos" de plantão...), acompanhe essa outra versão... felizmente com a melodia na tonalidade adequada a ela.
sábado, 19 de setembro de 2009
Nada é por acaso? (ou "voar, voar...")
Faz a gente pensar se vale a pena ficar paranóico procurando exlicação ou porquês para algo que simplesmente aconteceu, seja bom ou ruim... ou não???
"Onde o Homem quer chegar???"
Só faltou mencionar que para produzir e disponibilizar o vídeo, eles tiveram de usar os conhecimentos da ciência; mas isso, claro, é um detalhe... vamos lá, soltem a voz!!!!!
"seu estudU profundu, vai destruir o mundo, pode acreditaaar!!!"
E vc que achou que esse mundo tava perdido, hein?
Fala a verdade, salvei (literalmente) teu fim de semana, não foi?
Grande abraço!!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
As frases mais ditas ou ouvidas antes de morrer
Confie em mim.
Capacete? Imagina, tá calor.
Eu sempre mudei a temperatura do chuveiro com ele ligado.
Não ia ser hoje que alguma coisa iria acontecer.
Deixa comigo...
Desce desse ônibus e me encara de frente, sua bicha!
Você é grande mas não é dois!
Vamos lá que não tem erro.
Seja o que Deus quiser.............
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Imaruí...
Voltando....
Bom, leis de Murphy não são novidade na internet; essas eu achei separadamente e são reformulações do conceito fundamental de que, se alguma coisa tem uma chance por menor que seja de dar errado, vai dar... rsrs. Segue algumas delas:
"Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguir driblá-las, uma quinta surgirá do nada."
"Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que fazer, senão estudar a matéria dele."
"Quando te ligam: a) se você tem caneta, não tem papel. b) se tem papel não tem caneta. c) se tem ambos ninguém liga."
"Quase tudo é mais fácil de enfiar do que de tirar."
"Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda provocará mais destruição do que se deixássemos o objeto cair naturalmente."
"Você nunca vai pegar engarrafamento ou sinal fechado se saiu cedo demais para algum lugar." [comprovada na prática!!!]
"Seis fases de um projeto: Entusiasmo; Desilusão; Pânico; Busca dos culpados; Punição dos inocentes; Glória aos não participantes."
"Pais que te amam não te deixam fazer nada. Pais liberais, não estão nem ai para você."
"Crianças nunca ficam quietas para tirar fotos, e ficam absolutamente imóveis diante de uma câmera filmadora."
"Guia prático para a ciência moderna: a) Se se mexe, pertence à biologia. b) Se fede, pertence à química. c) Se não funciona, pertence à física. d) Se ninguém entende, é matemática. e) Se não faz sentido, é psicologia."
"Caras legais são feios. Caras bonitos não são legais. Caras bonitos e legais são gays." [Obs: Só pra constar, nunca me achei bonito!!]
"A beleza está à flor da pele, mas a feiúra vai até o osso!"
"Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda, e o que não sai."
"Números errados nunca estão ocupados!"
"Um morro nunca desce."
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Comercial da Citroen
Tem um comercial da Citroen que ficou famoso pela criatividade... ao menos eu achei. Aquele em que o carro se transforma e sai dançando... quem não viu segue o vídeo:
O legal é que achei um vídeo da Chevrolet que tira um sarro do concorrente de forma bem inventiva... (e o destaque fica para a frase final do cara: "por favor, vamos pra casa!").
domingo, 5 de abril de 2009
Ilustrated.....
Parte 1
Parte 2
quarta-feira, 25 de março de 2009
Sem comentários...
Dá uma olhada nessa abaixo e me diga se a simples contemplação não vai levando a gente longe, sem que tenhamos sequer que sair do lugar.

PS: O único comentário que eu poria (tá certo isso?) é a autoria da imagem que procurei por tudo e não achei. Se alguém souber, me avisa. Grande semana a todos...
sexta-feira, 20 de março de 2009
Playing for Change... paz através da música.
Ainda assim, é emocionante ver diferentes pessoas, em diferentes partes do mundo interagindo ao mesmo tempo por uma causa ou idéia em comum. Nesse caso, o projeto vai gerar um DVD e um CD para ser vendido e odinheiro arrecadado usado ao apoio das vítimas de AIDS.
Para dar uma idéia do quão bacana é o projeto, seguem três músicas em vídeo com uma amostra do que está sendo feito.
Stand by Me
Don't Worry"
e claro, "One Love"
domingo, 8 de março de 2009
Metade....
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
Oswaldo Montenegro
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Cachaça = yoga
Pesquisas demonstram que a cachaça brasileira tem exatamente o mesmo efeito (tântrico?) e com a vantagem de dispensar anos da sua energia resmungando em posição suspeita...
Basta dar uma olhada nas fotos a seguir...
INDIAN YOGA

Sensacional!!! Grande abraço...
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Verissimo 2: "sobre as dez coisas." Aproveitando o embalo...
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Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender
1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.
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"Racismo" de Luis Fernando Veríssimo
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- Escuta aqui, ó criolo...
- O que foi?
- Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.
- E não existe?
- Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca... É, não adianta. Negro quando não faz na entrada...
- Mas aqui existe racismo.
- Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia... E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita.
Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!
- Eu insisto, aqui tem racismo.
- Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra branco?
- Não, mas...
- Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregadoza de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?
- Eu sei, mas...
- Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.
- É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.
- Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.
- Mas isso é racismo.
- Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a freqüentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.
- Sim, mas...
- Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.
- Pois é, mas...
- Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.
- Pois então. O ...
- Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.
- Mas...
- E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.
- É, mas...
- E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil. Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.
- Sim, mas...
- E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
"É preciso saber viver"...
Muito bem bolado...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Campanha para doação de órgãos...
Uma campanha inteligente como poucas, e ao mesmo tempo profundamente marcante.
Vale a pena...
Assista até o final!!
Coragem acima de tudo...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Drummond... A Verdade Divina
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia."
Carlos Drummond de Andrade.
Clarice Lispector...
"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre."
Clarice Lispector
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Site útil para reforma ortográfica
Basta digitar a frase ou palavra (no máximo 100 caracteres) para saber a resposta. Ainda está em fase de implementação e como o autor avisa, é ainda específico para as regras novas de ortografia. No resultado, os erros de ortografia são corrigidos e a inclusão/omissão correta das letras é grifado em amarelo. Uma solução simples e prática...
domingo, 18 de janeiro de 2009
Ruben Alves no domingo (quase segunda)...
Gosto da forma que Ruben Alves escreve... vc vê nitidamente um cara falando mansamente, aquela prosa de quintal de casa no interior. Por um instante, esteja onde estiver na correria do dia a dia, vc se pega lendo-o e tem aquela sensação bacana de achar que está na calma e no aconchego da casa da sua vó, por exemplo...
sábado, 17 de janeiro de 2009
Chaplin sempre...
"Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou...
Não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna.
Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão.
Perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito para ser insignificante. Eu faço e abuso da felicidade e não desisto dos meus sonhos.
O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos."
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Série "Drummond na Sexta? Por que não?"
Às vezes, quando falta a inspiração para dizer o que se sente, nada melhor que buscá-la naqueles cujas definições parecem nos identificar melhor do que a que nós mesmos faríamos...
Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Maurício - Urbana Legio
Sempre gostei da letra, mas especialmente da melodia dessa música da (do? nunca sei o certo...) Legião Urbana.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Rowan Atkinson Sensacional!!!
Baterista...
Pianista...
E, claro, maestro................................
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Um novo olhar...
Da minha parte, confesso que 2008 não foi minha melhor "atuação"... desvios demais, problemas pequenos mas constantes que me fizeram diminuir meu ritmo de estudo; enfim, coisas que devo mudar...
Por outro lado, sementes foram regadas em silêncio durante meus momentos de dúvida profissional... essas sementes provam agora que eu não sou utópico demais, que meus sonhos não são coisas de momento, porque estão brotando a todo vapor, expandindo meu pensamento e minhas idéias, tornando todas as possibilidades possíveis... coisa que devo manter.
Se o que é preciso para ser realizado como instrumentista é trabalhar seriamente, é o que vou fazer; se o que precisamos é de um sorriso para transformar o nosso dia, buscarei esse sorriso...
Sonhos são vislumbres de vidas possíveis... assim, não somos limitados por nossa realidade, nossos costumes, nossas crenças. Apesar dessas coisas fazerem parte do nosso cotidiano, somos mais amplos, maiores e melhores do que tudo isso, "águias acostumadas a viver como galinhas" (valeu, Leonardo Boff!)...
Nossa falta de conhecimento não é problema, porque temos toda a informação do mundo aos nossos pés; e nossa estatura pequena e limitada tb não será problema, porque no fundo, "não somos da nossa própria estatura, mas do tamanho daquilo que enxergamos".
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Porque é Natal...
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Nessa época, sempre fico pensando no significado de tudo isso; nessa nossa bela e fantástica aventura de pequenas vidas que emergem num planeta pequeno, e que constroem, cada uma a sua maneira, uma história pessoal repleta de alegrias e tristezas, tropeços e reviravoltas, mas acima de tudo, uma história verdadeira de pessoas que sonham com dias melhores.
Nossa contagem de tempo é arbitrária, mas é a maneira que encontramos para, através de ciclos de recorrência (semanais, mensais, mas especialmente, anuais), buscar formas de recomeço em que possamos "fazer melhor"...
Nesse aspecto, tudo é questão de referencial; um ano não é nada comparado à idade da Terra, mas é muita coisa pra quem sofre e espera conforto e alívio para suas dores... Em um ano, sorrimos e choramos muitas vezes; vivemos grandes alegrias e dececpções... tantas que perdemos as contas. Normalmente, são os dias piores que ficam marcados em nossa lembrança, como se fossem uma regra. Mas não é verdade...
Se a dor e a escuridão estão à nossa espreita, temos a impressão de ser uma situação permanente, que não passa, que não dá trégua; essas situações parecem ignorar nossa luta, nossas orações, nossa pequena estatura fronte ao mundo que nos cerca... e como somos pequenos!! Essa força estranha que comprime até quase esmagar nosso peito termina por vezes corroendo até não restar quase nada de nossa força, nosso sorriso, nossa esperança...
Estranhamente, é essa mesma esperança que nos desperta através das coisas mais insignificantes que poderia haver na vida, ao ponto de nossos problemas insolúveis se dissiparem com o sorriso de alguém querido, uma mensagem de carinho de quem menos se espera, o reencontro com uma pessoa muito especial em nossa vida, um abraço forte que nos mantém de pé quando tudo à nosa volta parecia ter ruído. E então podemos ver que as nuvens se dissipam lá em cima, que o azul do céu reaparece e o sol por fim nos enche de uma alegria sem tamanho, uma verdadeira loucura por ser feliz, amando e sendo amado. Isso nos torna fortes, devolve nossa grandeza e, sem qualquer pedido ou súplica, perdoa todas as nossas faltas.
Todos somos assim; precisamos de atenção, precisamos de alguém que nos ajude, queremos a certeza de que a pessoa que amamos vai estar lá quando cairmos, como uma criança espera que alguém a pegue quando pula de um lugar alto...
Mas também somos, cada um à sua maneira, uma fortaleza; um local onde nossos sonhos ficam protegidos dos ataques, onde somos senhores de nosso próprio domínio, acima das dores, das mudanças de marés; um local imenso, cheio de quartos e cômodos ainda inexplorados, alguns esquecidos onde repousam algmas boas lembranças, nossos sonhos de criança, a vida singela e sem complicações das nossas brincadeiras, cheiros e vozes que nos trazem um mundo de pessoas que, em alguns casos, nunca mais poderemos ver... Essa fortaleza traz consigo tudo o que somos e temos e é a ela que recorremos, mesmo sem saber, quando nossa vida vai mal.
Assim, esse paradoxo na nossa vida é que faz com que possamos continuar dia após dia; porque são nossas lágrimas que nos fazem reconhecer e valorizar uma boa risada; porque nossas nossas dores nos forjam feito aço em brasa, lapidando, melhorando, ao mesmo tempo aumentando nossa sensibilidade e nossa resistência... E são as tristezas dessa vida que nos fazem encarar de frente esse mundo tão estranho, mas tão repleto de vida.
Sonhos devem ser alimentados pelo trabalho constante, já que as metas serão sempre metas se não forem postas em prática. Mas deve-se curtir cada passo, cada erro, cada acerto... Não se deve perder a oportunidade de rir de si mesmo, de rir de tudo, porque é no nosso sorriso que reside nossa maior riqueza: a certeza de que não importa o que aconteça, estaremos sempre por aqui, juntos quer queiramos ou não. Estamos todos ligados porque somos feitos da mesma coisa e porque nossa maior fraqueza - essa necessidade do outro como ponto de apoio - é nossa maior fortaleza - porque ata entre nós um elo profundo que nos torna mais fortes.
A todos que me acompanharam nesse ano de 2008, seja perto de mim ou em pensamento, desejo, do fundo do coração, que cada dia de 2009 se abra como uma nova possibilidade para fazermos e sermos melhores, sempre mais e sempre em frente...
Saúde, sucesso, trabalho e diversão... E claro, Força e Sorte sempre!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Série "Drummond na sexta? Porque não?"
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Poema de Morihei Ueshiba
A Arte da Paz começa em você. Trabalhe consigo mesmo e com a tarefa que lhe foi consignada na Arte da Paz. Todos temos um espírito que pode ser refinado, um corpo que pode ser treinado de certa maneira, uma senda conveniente a ser seguida. Estás aqui com um único propósito de dares conta de tua divindade interior e manifestar a tua iluminação inata [grifos meus]. Alimente a paz em tua própria vida e aplique logo a arte a tudo o que encontrares.Aprovado!!
sábado, 6 de dezembro de 2008
O LADO ESCURO DA LUA

Quando alguém fala sobre o lado escuro da lua, quase sempre as pessoas pensam na parte não iluminada dela; mas existe um tipo de escuridão ainda pior do que a falta de luz. Existe um problema que ocorre com as naves mandadas ao espaço e que precisam perfazer a órbita da lua: durante algum tempo, a nave perde o contato com a terra e navega sozinha na escuridão por horas, até reaparecer nos radares do outro lado. As metáforas num paralelo com a nossa condição humana podem ser feitas facilmente. Algumas pessoas sentem-se isoladas ou precisam isolar-se durante certo tempo... perfazer uma trilha em absoluta solidão para encontrarem-se do outro lado. Muita gente passa por isso, em maior ou menor grau, mas o mais difícil é quando se tem a impressão que essa fase é (ou será) permanente.
Abaixo segue um poema legal que achei e fala disso.
"Quando teus sonhos sumirem,
tuas apoteóticas previsões
caírem num vazio terrível.
Quando teu Deus te abandonar
no recanto da dor,
então te lançarás
ao lado escuro da lua.
Das trevas te insinuarás levantar,
como uma rainha límpida
e pura,
como se nunca tivesse sido tocada.
Vais te erguer,
mandona,
tentando encontrar canal
naquela velha paixão desaparecida.
Estarei curado,
e te chamando no lado escuro da lua.
Quando os parasitas sugarem tudo de ti,
teus afetos estiverem mortos,
vais lembrar da palavra devoção
e perceber que talvez duas ou três vezes,
em tua vida toda,
ouviste isso sinceramente.
Estarei no lado escuro da lua.
Quando estiveres sem saída,
ao desespero de ver a vida enganada,
pense nos que ficaram no lado escuro da lua,
por não quererem assistir as luzes falsas,
que cegaram totalmente quase todos,
não permitindo alçar vôo até as longínquas estrelas.
Então,
quando já tarde,
me procurares
no lado escuro da lua,
já não vou estar lá,
porque terei partido,
numa nave poética,
até outros universos
feitos de sinceridade
e seres aprimorados no amor."
Volmir M. G.
domingo, 30 de novembro de 2008
"Quando me amei de verdade..."
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E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome...Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é...Plenitude.
Tudo isso é... Saber viver!!!"

















