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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nasi: retorno do vocalista do IRA por excelência... ou o bom Rock nacional de volta!


Tem gente que pode até preferir o Edgard Scandurra com aquele jeito "canhoto" de tocar guitarra (ainda tem quem acha que tocar guitarra varia por ser destro ou canhoto. Já pensou esse conceito aplicado a um tecladista: inverter as teclas!!!?) e cantar... mas honestamente, força a amizade demais. 

Na minha modesta opinião, Nasi sempre foi a alma do IRA, com um timbre vocal característico, meio soul, meio rock...

Após um longo período em que o cantor de "Um Girassol sem Sol" passou por problemas profundos com as drogas, brigas familiares (hoje ele sequer considera seu irmão como tal, que era empresário do IRA)  processos judiciais (seu pai moveu uma ação para interditá-lo judicialmente, julgada improcedente), e um longo tratamento para desintoxicação, ele vem voltando timidamente a ser notícia nos meios de mídia lida e falada.

Atualmente ele tem um programa de rádio, participa de um programa na Tv, mas sobretudo diz ter se voltado definitivamente para os shows. Em seu site oficial, é possível fazer o download de cds inteiros, ver parte da bibliografia (nada relatado dessa parte mais pesada) e de vídeos.

Hoje, o que sobrou do IRA foram disputas judiciais pelo nome da banda, dissolvida pelos membros remascentes depois da saída de Nasi. Todos têm seus próprios projetos, mas no site criado por fãs da banda, é o nome de Nasi que permeia o conteúdo postado... seus projetos, shows e histórias.

Campanha para todos os gostos

Não importa o quanto você ache que as longas horas em frente ao computador te permitem dizer que já viu muita coisa ou quase de tudo na internet; sempre aparece algo inusitado.
Campanhas, por exemplo, podem ser feitas reivindicando qualquer coisa que algumas pessoas julguem importantes. Estão entre elas a marcha da maconha, que começou no Rio e se alastrou por várias cidades brasileiras,  as paradas do orgulho gay, que conta com associações organizadas, entre outras.
Às vezes, uma campanha parece uma completa bobagem, mas termina revelando uma situação real, ainda que no mínimo curiosa. Foi essa minha reação ao topar com essa que posto a seguir: a campanha "faça xixi no banho".

É, eu também fiquei meio sem saber o que pensar na hora... no mínimo que não tinham o que fazer. Mas, com um pouco de paciência, a idéia pode não ser de todo má. Na verdade, até faz sentido, se você pensar na quantidade de água que vai embora convencionalmente, e desconsiderar os meios mais modernos de descargas a vácuo e que praticamente usam o mínimo de água. Mas que é estranha pra ser posta como campanha, isso é...



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Se for a Keko...

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... clique aqui...




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Quintana em: INSCRIÇÃO PARA UM PORTÃO DE CEMITÉRIO



Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.


Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"

domingo, 2 de maio de 2010

Pensamentos...




Há vários motivos para não amar uma pessoa, e um só para amá-la; este prevalece.

Carlos Drumond de Andrade


Vivemos numa época onde nada é tão indispensável como as coisas supérfluas.

Sofocleto


Quem pergunta é tolo uma vez , quem não pergunta é tolo sempre.

Ditado chinês


O que lembro, tenho.

João Guimarães Rosa


Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

William Shakespeare


Quando morrer, quero que me incinerem e que 10% das minhas cinzas sejam jogadas sobre meu empresário.

Groucho Marx


Quanto mais longa a explicação, maior a mentira.

Provérbio Chinês


Nunca espero nada de um soldado que pensa.

Bernard Shaw


O condutor do camelo tem seus planos e o camelo tem os seus próprios. 

Anônimo 


Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo.

Mário Quintana


Se eu amo a meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante? 

Mário Quintana


Quem come da árvore do conhecimento sempre acaba expluso de algum paraíso. 

Inge


O poder da observação cuidadosa é chamado cinismo por aqueles que não o possuem. 

G. Shaw 


Estude as frases que parecem certas e coloque-as em dúvida. 

David Riesman


Diga a verdade e saia correndo. 

Provérbio Iugoslavo


Vou me tornar teu inimigo porque te conto a verdade? 

Gálatas 4:16


Se você desejar mesmo procurar a verdade, é necessário que, pelo menos uma vez em sua vida, você tenha duvidado de absolutamente tudo. 

Renê Descartes


Jamais entre em polêmica com um pescador ignorante; você não tem nada a ganhar e ele não tem nada a perder. 

Paul Quinnett


Não há necessidade de grelhas, o inferno são os outros. 

Jean-Paul Sartre


Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes. 

Sade


Sempre faça sóbrio o que você disse que faria bêbado. Isso lhe ensinará a manter a boca fechada. 

Ernest Hemingway


Se as coisas são inatingíveis, ora! Não é motivo para não querê-las. Que tristes seriam os caminhos se não fora a presença distante das estrelas. 

Mário Quintana


Noto que uma larga porção da raça humana não acredita em Deus, e não sofre nenhuma punição visível como conseqüência. E se houvesse um Deus, eu acho que seria pouco provável que ele tivesse uma vaidade tão incômoda a ponto de se ofender pelos que duvidam de sua existência. 

Bertrand Russell


A psicologia nos ensina que as pessoas têm verdadeira aversão à percepção de que estão erradas. Mostre, diga isso claramente, e você terá delas o desprezo e a agressão. Imagine quando se trata de mostrar que todo seu modo de vida está errado, que o mundo, a espécie, a natureza exigem uma mudança de comportamento, de estrutura, da hora em que você acorda à hora que dorme. 

Gilberto Marotta


Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte. 

Max Weber


O homem é tão egoísta, que foi preciso falar-lhe de uma recompensa em outra vida, para que ele praticasse o bem nesta. 

Walther Waeny


Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.

Platão


Realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, continua existindo. 

Philip K. Dick


O terceiro segredo de Fátima é um envelope em branco para preencher na altura adequada com a mensagem mais conveniente. 

Rosa Cabral


Senso comum é uma coleção de preconceitos adquiridos aos 18 anos. 

Albert Einstein


Se a porta dos fundos de um restaurante não tem cães, desconfia. 

Dito popular mexicano


É preciso ser pessimista, porque os otimistas, eles, não querem mudar o mundo. 

José Saramago


A inteligência humana tem limites. A estupidez, não. 

Ignatius Nobel


Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir. 

Sêneca


O homem sensato se adapta ao mundo; o insensato insiste em tentar adaptar o mundo a ele. Todo o progresso depende, portanto, do homem insensato. 

George Bernard Shaw


Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e, olhando bem, nem são contemporâneos. 

Millôr Fernandes


Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para a fogueira. 

Liev Nikolaievitch Tolstoi


De um modo geral, os seres humanos querem ser bons, mas não bons demais, nem propriamente o tempo todo. 

George Orwell

sábado, 27 de março de 2010

"Me tocou um amor crepuscular... há que amar diferente"

Campo de Flores

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.


Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.


Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.


Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram de mim,
o sumo se espremeu para fazer um vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.


E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.


Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.


Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
… visão extasiada.


Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.


Carlos Drummond de Andrade

"Enigma" por Carlos Drummond de Andrade

Enigma

Faço e ninguém me responde
esta perguntinha à-toa:
Como pode o peixe vivo
morrer dentro da Lagoa?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Quando o inimaginável acontece...

Não sei se dependendo do dia, a gente fica mais propenso a ser atingido por certas coisas, ou se é a fase da lua agora, meu horóscopo chinês, meu ascendente em se lá o que; o fato é que a notícia do menino de Maceió que foi sequestrado por dois anos me deixou um pouco perturbado.

Pra quem não acompanhou, a noticia foi veiculada no jornal nacional da rede Globo. O menino foi sequestrado de Alagoas e por mais de dois anos esteve vivendo com o sequestrador em Campos, no norte do estado do Rio. Lá, ele era obrigado a pedir esmola para o homem, que só foi descoberto em dezembro de 2009 porque foi preso, acusado de sequestrar outra criança.
Levado para um abrigo, o menino (que aparenta uma idade de 4 a 6 anos agora) afirmava a história contada pelo sequestrador desde que foi acolhido. Só recentemente ele começou a revelar dados e fatos que ajudaram a encontrar sua verdadeira família. A matéria do jornal é sobre o reencontro.


Agora imagine comigo essa situação: uma criança que é levada por mais de dois anos numa idade tão tenra, dormindo por todo esse tempo sabe-se lá onde e em que circunstancias, sendo submetido a um tratamento que seria abusivo e absurdo para um adulto, que marcas e cicatrizes profundas não carrega? A cena acima é uma quadro do vídeo na página da Globo, numa das cenas finais do reencontro entre mãe e filho. Não tenho o hábito de me emocionar por qualquer comercial de margarina, mas confesso que a cena me levou às lágrimas. E quem não seria levado? Quem poderia assistir a uma cena tão nefasta, que revela aspectos daquilo de pior que somos capazes de fazer e permanecer indiferente?

A psicóloga que tratou do menino fala do processo de retorno e retomada da vida familiar, e de como esse processo é delicado. Isso seria de se esperar; traumas em adultos deixam marcas profundas, mas temos válvulas de escape melhores, somos experientes em quedas e recomeços, temos uma consciência mais clara do mundo que nos rodeia. Uma criança não tem nada disso, e é precisamente por isso que é tão grave um crime que atente contra elas. Suas defesas são extremamente limitadas, buscam apoio em quem estiver perto e são facilmente influenciáveis. Além disso, em todos os grandes problemas que enfrentamos, sejam desastres naturais, guerras santas ou profanas, ou mesmo o descaso do dia a dia com os menos favorecidos, as crianças são sempre a variável mais frágil da equação, as mais atingidas, as que mais precisam de proteção. Isso nem sempre acontece...

Se um criminoso choca as pessoas com atos tão covardes, que dizer de um "santo" homem" ou "mulher"? bento 16 anda em voltas com os próprios demônios que durante anos varreu pra baixo do tapete: abuso de crianças por padres e freiras. Muito antes de ser papa (e ter feito a ponta em "Star Wars" como o imperador Palpatine, disponível aqui e aqui), ele foi acessor direto do Vaticano para assuntos dessa ordem. Agora, todas as evidencias apontam para aquilo que já se sabia ou desconfiava: durante anos, as acusações de padres e freiras por pedofilia e abuso foram ignoradas e desconsideradas, sendo os criminosos transferidos para outro lugar. Apesar de um incontável número de casos serem forjados (e isso é importante deixar registrado aqui), coisas como essa acontecem com maior frequencia do que gostariam de admitir  os católicos (aqui, aqui, aqui, e aqui, para citar alguns exemplos, e aqui para a política do vaticano de "abafa o caso").
Casos assim chocam pela frequencia que ocorrem, pelas implicações resultantes que falei anteriormente, por perverter uma inocência que é perdida para sempre, um mundo de sonho e fantasia que, de um momento para o outro, é transformado num terrível pesadelo e que pode, como em muitos casos, acompanhar a pessoa pelo resto da vida, com sérias consequencias à capacidade de confiar e relacionar-se futuramente.
Mas o caso do abuso dos padre, pastores (aqui, aqui e aqui, por exemplo) e freiras (e etc) tem um agravante ainda maior, porque muitas pessoas acreditam nessas instituições e depositam nelas a esperança de dar um futuro melhor aos seus filhos, seus órfãos, os herdeiros de tudo o que fazemos hoje em dia. Como a traição de alguém que lhe é íntimo e próximo, casos como esse revelam uma certa covardia adicional (se é possível adicionar ainda mais), porque são as pessoas de onde menos se esperaria. Como eles mesmo anunciam-se como arautos de deus na terra, resta saber o que imaginam eles que lhes reserva a pretensa justiça divina; ironicamente, a mesma com que tanto ameaçam e atormentam as próprias crianças...

Pra mim, das duas uma: ou são completos psicóticos, porque são masoquistas e acreditam que arderão no inferno mais profundo e terrível, ou são completos psicóticos, porque sabem que pregam alegorias para uma massa de corações desesperados que neles depositam suas esperanças, e cuja influencia é explorada ao extremo da vaidade e da loucura a seu próprio favor...




Pelo sim, pelo não, que paguem todos pelo que fazem aqui mesmo, já e agora!!

Uma foto...

Série "Tu é Chopin que eu sei!"


Vídeo educativo "com deus não se brinca"...

De todas as falácias que já tive notícia, acho que as veiculadas nesse vídeo são as mais antigas que já vi. E acho simplesmente impressionante como as pessoas mandam isso uma para as outras sem sequer pensar na implicações daquilo que se afirma.
O vídeo em si é uma sequencia de casos com a mesma temática: pessoas que "desdenharam" de deus e foram mortas por isso... frequentemente com mais pessoas absolutamente inocentes da declaração do pseudo-culpado. Tem de tudo um pouco: a célebre frase (distorcida) de John Lennon, Tancredo Neves, O construtor do Titanic ("nem deus afunda"), e o caso tragi-cômico da menina que saiu para anoitada e desdenhou da mãe... bom, segue o vídeo:


Certo. Como esse é um clássico dentre as mensagens e e-mails que recebo, resolvi pesquisar um pouco e postar alguns dos resultados aqui, embora no fundo, o argumento mais lógico não necessitaria de qualquer pesquisa além da mensagem do próprio vídeo: esse é o deus misericordioso?  Essa é a fonte de bondade infinita, que tudo vê, sabe e faz pra que sejamos felizes? Comento os casos mais relevantes, ao meu ver:

John Lennon - O que ele realmente disse foi que naquele momento, os Beatles eram uma influência maior para os jovens que jesus cristo. A entrevista original pode ser vista aqui. Ele prório ressaltou depois (a frase iniciou uma revolta de cristãos norte-americanos que queimaram os discos dos Beatles em protesto. PS: Queimar discos? Não faz a gente sentir saudade do tempo em que eles se auto-incineravam na fogueira?) que ser mais famoso ou influente que jesus não era necessariamente uma coisa boa, mas a constatação de um fato. Muito antes de ser morto, Lennon já tinha explicado melhor sua colocação, acrescentando que jesus estava certo,  que ele não era anti-cristão nem anti-religião, mas que não concordava com as interpretações dadas por algumas pessoas que se diziam seus seguidores. Só pra rir um pouco, no ano do aniversário do álbum branco dos Beatles, 2008, o vaticano sem ter o que fazer resolver declarar que perdoava Lennon (como se ela pudesse ou ele precisasse) em 2008 por essa declaração.

Tancredo Neves - salvo a menção nesse vídeo, não encontrei uma única fonte independente que comprovasse tal afirmação, em nenhum meio de imprensa.

Bon Scott -  a música citada é Highway to the Hell, não por acaso faixa título de álbum homônimo do AC/DC lançado em 1979. O vocalista do grupo realmente morreu de forma deplorável no ano seguinte mas, curioso, as músicas foram compostas pela banda toda e só ele "sentou na graxa"?. Essa música em específico, por ele e o guitarrista Angus Young, que continua vivinho da silva, bem como o resto da banda...

O construtor do Titanic - não achei nada que comprovasse a tal entrevista. Mas mesmo que ele ou alguém tivesse dito isso, já passou pela cabeça de alguém a insanidade de que uma pessoa diz "nem deus afunda", e 1522 pessoas perdem a vida? A propósito, para a história do Titanic, dá uma olhada aqui ou aqui (em inglês).

A menina no carro acidentado - a história dessa menina anônima que sai com uma turma de amigos bêbados em um carro onde todos morrem é tragi-cômica por vários aspectos. Primeiro, porque nenhum dos jornais de Campinas-SP relatam o fato. Depois porque a história não só não é suportada por evidência alguma (nenhum nome sequer, uma citação na imprensa, nada...) como o número de ovos encontrados no porta-mala varia de lugar para lugar. Sem contar a pergunta básica de "o que diabos uma turma de amigos que sai na noitada está fazendo com duas duzias de ovos no porta-malas?", a pergunta que realmente não quer calar pra mim é "e aí, pra que tudo isso?". Se no suposto carro todos morreram, cinco pessoas pagaram pela declaração insentada de uma menina de 19 anos? Menos mal que no Titanic, mas ainda assim não me conforta...

E vou dizer exatamente porque. Porque as pessoas que citam essas coisas sem cabimento esquecem de mencionar o outro lado da moeda; as pobres criaturas que pagam com suas vidas fazendo simplesmente aquilo que se espera de um crente devoto: louvando seu deus. É o caso dos acidentes com onibus de romeiros (20 mortos aqui, 11 aqui, 9 aqui, 5 aqui, fora os 7 mortos e quase 100 feridos na tragédia no desabamento do teto da renascer, aqui), por exemplo. E assim como John Lennon e Bon Scott morreram de forma trágica, o mesmo também aconteceu com Martin Luther King, pastor da igreja batista nos EUA que teve importante papel politico na defesa dos direitos dos negros, bem como Malcom X tb; o pacifista Mahatma Gandhi (que nem foi tanto assim, mas isso é outra história), Zilda Arns e possivelmente até o papa João Paulo I.
A ocorrência de tragédias em massa como as ocorridas no Haiti recentemente, além do tsunami na Índia, passando pelos massacres nas guerras mundiais (especialmente a 2ª) e chegando mesmo ao biblico desaparecimento das cidade de Sodoma e Gomorra não podem ser usados de maneira nenhuma para justificar punição divina de quem quer que seja, sem ao mesmo tempo acusar essa mesma divindade de ignorância e precariedade de métodos. Ou alguém duvida que em Sodoma havia crianças? Ou em Gomorra, pessoas idosas pacatas e ordeiras? Ou que o julgamento de Hitler estava correto ao trazer para si a nefasta decisão de quais critérios usaria para purificar sua estimada "raça ariana", condenando uma infinidade de pessoas que ele sequer conheceu direito?

A punição, que em si já é árbitrária, se tivesse de ocorrer poderia perfeitamente atingir somente àqueles pseudo-culpados... ou não?  Ou os métodos são tão imprecisos que o sangue de uma infinidade de inocentes são o preço para punir alguns poucos?

Pra mim, o fato em si já diz que tragédias acontecem a todos, indistintamente. Elas não escolhem índoles, nem são arautos de nada. O sofrimento por si só não traz benefícios, não transforma ninguém em santo só por ter de passar por ele, nem tampouco é prova de culpa. Seria imoral e hipócrita pensar dessa forma, porque não é o que se espera de um deus onisciente e onipotente. De uma forma geral, o fio da espada casual da morte cruza indistintamente o globo fazendo vítimas pelo caminho sem qualquer relação aparente entre causa e efeito. E isso por si só já desarma completamente esse argumento tacanha de que quem "brinca" com deus paga com a morte... acrescente que não só ele, mas uma infinidade de inocentes tb!!

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Passagem das Horas"

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(...)

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

(...)

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Trechos de Passagens das Horas, por Álvaro de Campos (também conhecido por Fernando Pessoa)

domingo, 21 de março de 2010

"Traduzir-se" por Ferreira Gullar

 
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

Ferreira Gullar

sábado, 20 de março de 2010

Um pensamento...

O fato de um crente ser mais feliz que um cético não quer dizer muito mais que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio.

George Bernard Shaw

quarta-feira, 17 de março de 2010

Augusto Cury é Paulo Coelho reencarnado?

Não é de hoje que os livros de Paulo Coelho não me chamam a atenção. Já li alguns deles no passado e confesso que por um tempo eles até tiveram algum respaldo pra mim. Comecei por "Brida", depois "O Monte Cinco" e, por último, "Verônica decide morrer". O que transparece na leitura é aquela sensação estranha de fórmula manjada, como uma banda que grava sempre músicas parecidas com um antigo rit de sucesso. Não espere em nenhum desses livros qualquer desfecho diferente daquele que naturalmente se deseja em novelas televisivas: que a ala do bem fique numa boa (apartamento em Copacabana, viagens ao exterior e festas reunindo todo mundo) e a galera do mal sofra (prisão, morte, loucura, sofrimento, etc...).

Pois bem, eis algumas das suas pérolas:

Embora meu objetivo seja compreender o amor, e embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei meu coração, vejo q aqueles q me tocaram a alma ñ conseguiram despertar meu corpo, e aqueles que tocaram meu corpo ñ conseguiram atingir minha alma.
...

Tudo que acontece uma vez poderá nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes, certamente acontecera uma terceira.
...

Todos os dias Deus nos dá um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. O instante mágico é o momento em que um 'sim' ou um 'não' pode mudar toda a nossa existência.



As coisas mais simples da vida são as mais extraordinárias, e só os sábios conseguem vê-las.
...


Ninguém consegue mentir, ninguém consegue esconder nada quando olha direto nos olhos.
E toda mulher, com um mínimo de sensibilidade, consegue ler os olhos de um homem apaixonado.

...

Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia.
...


Quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize o seu desejo.

Pois bem, nessa onda de best sellers onde a importância de um autor aparentemente é medida pela quantidade de livros vendida, Augusto Cury vem ganhando destaque na mídia em geral e, por conseguinte, nas prateleiras de muitos aficcionados pela sua literatura. Autor de livros como "Pais Brilhantes, Professores Fascinantes", "Você é insubstituível" e "Análise da inteligência de Cristo: o mestre inesquecível" (?), ele justapõe conceitos óbvios da auto-ajuda com uma linguagem rebuscada de médico, psiquiatra e psicoterapeuta. O resultado é uma coleção de lugares comuns típicos, no melhor estilo "se não chutar, não sai gol".
Algumas dessas pérolas:

Construí amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos, bati na porta da vida e disse-lhe: Não tenho medo de vivê-la.


Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las.


Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável.


Os problemas nunca vão desaparecer, mesmo na mais bela existência. Problemas existem para serem resolvidos, e não para perturbar-nos.


A vaidade é o caminho mais curto para o paraíso da satisfação,porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve.


Os que desprezam os pequenos acontecimentos nunca farão grandes descobertas. Pequenos momentos mudam grandes rotas.


Se um dia fecharem-lhe as portas da vida, pule a janela.

 Com exceção desse último pensamento, que pode ser extremamente perigoso se entendido ao pé da letra (especialmente se vc mora no 23º andar), os demais são todos copilações de frases de efeito, que não por acaso tem esse nome. Elas buscam sempre trazer ao leitor uma compreensão "filtrada" da realidade, um lugar comum e fácil onde brota a comodidade e o conforto através da mera consciência e do desejo pessoal.

A comparação com autores consagrados na literatura é injusta, mas serve como ponto de apoio para exemplificar o que quero dizer; personagens como Don Quixote¹, Dorian Gray², Gilliat³, Sydney Carton¹¹ e (li esse recentemente, presente da keko²²) Geraldo Viramundo³³ não são meras criações literárias para exibições de frases de efeito. Eles são, sim, personagens complexos e profundos, que exploram intensamente nosso caráter ambíguo e contraditório, nossa doçura e raiva, como seres caridosos e mesquinhos. Já foi dito que o Jesus bíblico seria uma caricatura sem graça se comparado à complexidade visceral de qualquer personagem da obra de Dostoiéviski. Acho que o mesmo vale aqui.

O problema da história do "universo ao seu favor" é que ela não encontra respaudo no mundo real. Como sábios visionários também não. E pessoas que não sentem medo. E bondade absoluta. E assim por diante.
Somos formigas presas numa garrafa tentando ler o mundo lá fora através de um vidro trincado, sujo e desfocado, mas ainda assim somos fortes e profundamente corajosos diante do desconhecido (viu como pega... rsrs). Entender nossa falibilidade demonstra a extensão da nossa insignificância, mas também a grandeza do nosso caráter e a nossa honestidade frente ao que não conhecemos, minimizando nossa ignorância, ajustando nossos ponteiros com um universo já em rotação própria e não o contrário, sob todos os aspectos.

Tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a ideia da inexistência de Deus. O Homem inventou Deus para poder viver sem se matar.

Fiodor Dostoiéviski


1. O cavaleiro errante, que tenta a todo custo viver seu sonho medieval num mundo onde o cavalheirismo não tinha mais espaço. Da obra homônima de Miguel de Cervantes.

2. O personagem de Oscar Wilde imortalizado através de um retrato, que passa por sua vez a envelhecer em seu lugar, embora seu caráter desvirtuado não o permita encarar a pintura, como alguém que evita espiar a própria consciência.

3. O pescador de Victor Hugo em "Os trabalhadores do mar", que sonha com um amor platônico e termina facilitando a fuga da sua amada com outra pessoa, morrendo lentamente na subida da maré ao vê-la partir.

11. O fantástico antipático e irônico personagem de Charles Dickens em "Um Conto de Duas Cidades", que termina assumindo o lugar de um desafeto no cadafalso, morrendo por alguém que nem conhecia, nem gostava direito.

22. Minha negrinha... "a linda flor do meu sertão pernambucano".

33. O grande mentecapto de Fernando Sabino em obra homônima, que percorre um estado de Minas Gerais quase pictórico, oscilando entre a extrema bondade, profunda ingenuidade, grande sabedoria e loucura demente.

Aparições de jesus... ou da fé necessária para ver o que não existe.

Algumas pessoas procuram e buscam tanto que acabam encontrando... ou não?

















Curtas e boas... ou rindo pra não chorar!!

Comédia sem precedentes, seleção natural onde as baboseiras se valem de uma educação ineficiente, incompleta e obtusa para se proliferarem. Faz me lembrar ironicamente o evangelho de marcos, capítulo 13, versículo 7:

"Porque naqueles dias haverá tribulações tais, como não as houve desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem haverá jamais".







Pastor transforma metais em ouro!!!





Lipoaspiração pentecostal (tb conhecido como pastor "Dr Hollywood"!!!)





Enquanto isso, na saída de alguma fonte miraculosa em algum lugar do mundo, essa imagem que poderia ser livremente traduzida por cura à frente.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pat Condell arrasador...

Pat Condell é um humorista inglês que tem um talento impressionante com as palavras. Ele também é extremamente contundente nas suas colocações e muita gente reclama disso. Mas no fundo, apesar dessa aparência agressiva do discurso, é impossível não ficar admirado, porque não vejo ninguém refutando suas opiniões com outras com o mesmo nível de elaboração e evidências.

Segue um sobre o clero... ah, esqueci de avisar, ele é ateu convicto, como vcs podem ver, então, aos religiosos apavorados com a iminência do juízo final, por favor, tirem as crianças da sala.

sábado, 6 de março de 2010

A palavra do dia é: PEDANTE

Tem palavras que eu leio e com frequencia esqueço o significado. Vou postar algumas delas até como lembrete pra mim mesmo.

Pedante

"Pedante é aquela pessoa que possuiu muita “vaidade” na maneira com que fala das coisas, e que acaba de forma arrogante e precipitada ostentando conhecimentos que na verdade não possui. Todos que foram adolescentes um dia sabem o que é isso. Geralmente este comportamento está relacionado com uma necessidade de auto-afirmação, uma necessidade de se impor ideologicamente. O profissional pedante é aquele que vai se apegar a detalhes desnecessários e vai se esquecer do principal."

Disponível aqui.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Suicídio homeopático fracassa na Inglaterra

Numa demonstração/protesto contra a completa ineficácia dos chamados medicamentos "homeopáticos", nada mais, nada menos que 400 britânicos tomaram juntos uma série deles buscando uma overdose que, claro, não ocorreu.
O protesto foi no dia 30 de janeiro, precisamente às 10:23h. A homeopatia é muito disseminada na Inglaterra, onde foi regulamentada como prática médica desde 1950.

Postagens...

Escrever dá trabalho. É a conclusão a que chego cada vez que me posiciono em frente ao computador para postar algo aqui. Não quero fazer isso de qualquer jeito e sair falando coisas que podem perfeitamente passar por dignas de confiança, mas que são o mais completo disparate. E isso independente que a maioria das poucas pessoas que lêem nunca descubram. Já existe ignorância demais nesse planeta para que eu seja mais um disseminador. 

Como falei em outro post, recebo frequentemente mensagens de todo tipo, como qualquer pessoa que tenha e-mail e uma comunidade razoável de amigos virtuais. Mas me impressiona a quantidade de pessoas que se propõe a passar adiante a primeira coisa que lhes cai à mão, sem consultar uma única fonte independente. Um exemplo:
Recebi quatro mensagens independentes (não eram remetentes comuns) sobre a o vídeo misterioso que mostrava luzes no céu da Noruega no começo de dezembro de 2009.


Antes mesmo de qualquer esclarecimento ou investigação, todas as mensagens que recebi atiravam todas as fichas em "acontecimentos que ninguém explica", ou "eles estão entre nós". Bastou dois dias para a verdade ser revelada: a imagem é na verdade de um míssel russo num teste mal sucedido que acabou se convertendo num fiasco para a própria Rússia.

Ao que tudo indica, o fantástico, o sobrenatural, o impossível, são a primeira opção de explicação para aqueles que buscam avidamente um ponto de apoio para suas convicções. O que pode não ficar claro nesse comportamento é que, agindo instintivamente dessa forma, não somos muito diferentes dos nossos antepassados quando contemplavam relâmpagos em tempestades noturnas nos vales e planícies e atribuiam isso às mais variadas divindades.

Ser cético, nesse contexto não é ser frio, calculista, sem paixão. Considero, ao contrário, que escrever citando as melhores e mais confiáveis fontes, embasando o pensamento naqueles que nos antecederam de forma brilhante, não é um mero capricho ou exercício intelectual desnecessário, mas uma necessidade real contra a gigantesca aura de superficialidade e pseudo-mistério que nos ronda constantemente. Isaac Newton disse a célebre frase que se pode ver mais longe foi porque estava apoiado sobre ombros de gigantes. Fazia uma referência a todos aqueles que pesquisaram e acumularam esse vasto campo que é o conhecimento humano.

Somos todos, direta ou indiretamente, o resultado final de uma espécie com uma longa jornada genético-evolutiva, que cruzou os tempos mais remotos sob as formas mais diversas, e que num período relativamente recente, iniciou o acúmulo de conhecimento de uma geração para outra. Perceber a forma como esse conhecimento foi acumulado nos permite entender as avanços da nossa sociedade atual, com seus problemas e consequencias; mas também nos torna portadores de uma responsabilidade velada, quase silenciosa: a de velar por essas conquistas e propagá-las.

Acabou ficando sério demais o texto, mas acho que traduz bem o que sinto hoje, então vou deixar assim...
Grande abraço a todos!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sobre Poços de Caldas e outras coisas...

Estive no mês de janeiro no Festival de Música de Poços de Caldas que é sem dúvida um evento singular. Não só pelo fato de estar bem acompanhado (e eu estava), mas também pela oportunidade única de ver e ouvir de perto pessoas que admiro sinceramente, especialmente pela aparente paradoxo do jeito tranquilo e despreocupado de ser com uma leitura extremamente refinada da vida e do mundo através da própria arte. E digo aparente porque a gente percebe depois, olhando com mais frieza, que elas na verdade se completam; essa transparência, essa calma, o jeito divertido de dizer as coisas mais incríveis, de fazer as coisas mais difíceis musicalmente falando soarem como uma conversa despretenciosa, isso tudo é prova mais que suficiente do erro que é considerar certas formas mais refinadas de arte como erudita em detrimento de outras consideradas como populares.

A mesma desenvoltura que vi nos palcos em apresentações e concertos sensacionais como o de Nailor Proveta, Luis Afonso Montanha, Quarteto São Paulo e o quinteto de clarinetas Sujeito a Guincho com a cantora Monica Salmasso, encontrei também na conversa com vários deles numa pizzaria da cidade.
Foram dias sensacionais, cujas lembranças vão se perpetuar na memória...

Depois disso, é engraçado ver vídeos como esse, em que essas pessoas aparecem fazendo o que sabem melhor, num evento que reúne a OSESP, a Banda Mantiqueira e a cantora Mônica Salmasso na Sala São Paulo, sem pensar que esse cenário fantástico e surreal é feito com pessoas simples e despretenciosas. 




Dá só uma olhada nesse arranjo fenomenal de "Chiclete com Banana"... a tal questão diplomática entre Brasil e Estados Unidos que Lucca Raele fala de forma bem humorada na versão do Sujeito a Guincho é nitidamente vista aqui; temas brasileiros e norte-americanos que brincam numa bem humorada batucada brasileira.

Haiti: deus e a desgraça coletiva

Estou habituado a ler bobagens de todo o tipo na internet e como outras pessoas que conheço, desenvolvi anticorpos para não me deixar afetar por elas. Assim, boa parte dessa montanha de absurdos passam incólumes por mim e não perco meu tempo mais respondendo arquivos feitos no PowerPoint, que sem citar referência alguma, pregam sobre uma pseudo cura do câncer, "provas científicas" da passagem dos hebreus pelo mar vermelho por pessoas que nem sabem o significado da palavra 'prova', e as mensagens que são as melhores de todas na minha opinião: "se apagar isso sem ler, sinceramente vc não tem coração". E segue a choradeira, um exemplar da desgraça humana a que estão sujeitos qualquer um de nós, mas elevada a uma potência extrema, com música em mid e frases de efeito (frequentemente com autoria trocada, como uma que recebi essa semana que atribuía a Einsten uma frase de Shakespeare... é, nem me pergunte). Bom, só pra pontuar essa parte, e sob esse aspecto em particular, EU NÃO TENHO CORAÇÃO MESMO...

Entretanto, algumas vezes o pessoal pega pesado demais, mesmo para os padrões habituais de ignorância e mal gosto a que certas pessoas estão acostumadas. Com essa tragédia no Haiti, eu imaginei que não ia demorar a aparecer aqueles adeptos da livre associação. Só não imaginei tamanho absurdo...
Através de blogs e sites, pessoas tem manifestado opiniões de deixar qualquer um boquiaberto; a de que existe um culpado pela desgraça no Haiti... e esses culpados são, acredite, os pobres moradores de lá!
Num blog intitulado Teologia Pentecostal, o autor afirma com todas as letras que a culpa pela tragédia é do homem e do pretenso e cansativo argumento do pecado original (aquele terrível acontecimento que envolve duas pessoas nuas e frutas de feira). O pastor norte-americano Pat Roberson diz (a versão integral aqui com o vídeo original) que a culpa é do pacto com o diabo feito pelos haitianos para serem livres do domínio francês. E até o cônsul do Haiti em São Paulo deu mostras do quanto esse pensamento estúpido está arraigado; sem saber da gravação, ele afirma a um jornalista do SBT que "essa desgraça está sendo boa pra nós [?]" e que acha que a culpa é da prática do vodu (!!). E mais, ele diz que o africano em si tem maldição e que "todo lugar que tem africano tá fodido" (a censura corta, mas eu não). Como se sabe, 90% do país é (era...?) de ascendência africana. E por ai vão..........
Não vou nem comentar caso a caso; eles não merecem mais que uma citação aqui nesse espaço. Mas me sinto na obrigação de dizer como contemporâneo do meu tempo que suposições como essa me deixam horrorizado. Eu sei que o homem na sua história relacionou causas e efeitos de forma arbitrária, como prova a história das religiões, uma tentativa, ainda que primitiva, de explicação do mundo. Só acho que não é mais admissível nos dias de hoje utilizar argumentos da época em que se julgava que o mundo era plano, o céu uma redoma, monstros marinhos era uma ameaça real...
Desastres acontecem, como esse do Haiti, furacões no Pacifico, o tsunami na Indonésia; não é nada mais que o planeta  e suas forças internas trabalhando, placas tectônicas se ajustando. Isso é pouco perto das violentas mudanças que o planeta já sofreu no passado remoto, com choques de asteróides e variações climáticas abruptas.
Zilda Arns foi uma vítima como eu também poderia ter sido, se tivésse escolhido o Haiti como destino na mesma época. Da mesma forma, as pessoas do Haiti são vitimas inocentes e desorientadas, cuja condição anterior de miseráveis só dá contornos ainda mais dramáticos ao cenário. Pessoas vagando sem rumo se sobrepõem a corpos putrefados e o mal cheiro geral... Foi como tirar tudo de quem já não tinha nada. Creditar uma vingança divina nesse caso é atestar o caráter mesquinho e incompetente de quem tudo podia e nada fez.




Se isso é prova de misericórdia, eu já estou servido, obrigado.