sábado, 2 de abril de 2011
Dos regentes sem batuta
Talvez por uma idéia fixa e transmitida tacitamente em meios musicais, não é dificil encontrar regentes que não só não abrem mão da batuta na execução musical, como postam com ela em fotos diante da orquestra ou (pior ainda) sozinhos; uma necessidade de auto-afirmação que me soa, no mínimo, estranha. Sempre acho o papel do regente super valorizado na cultura de orquestra moderna. O culto a essa pessoa que não produz nenhum som, mas que com frequencia colhe sozinho em frente às orquestras os méritos por seus feitos me parece antes de tudo uma injustiça. E explico porque.
Uma orquestra não é um grupo de pessoas leigas sobre o material que lidam diariamente; ainda que em diferentes graus, todo músico dialoga com a tradição musical de seu próprio instrumento e, em condições ideais, conhece-o melhor que ninguém. Limites, timbres, possibilidades interpretativas e as soluções performáticas mais adequadas ao repertório de cada período da história da música. A priori, nenhum maestro tem condições de ensinar como cada um deve tocar; não é sua função, e mesmo que fosse, duvido que estaria apto a fazê-lo, porque é simplesmente impossível a uma única pessoa desenvolver o nível de proficiência técnica e particulariades em todos os intrumentos, o que cada instrumentista em seu mundo particular demora anos para atingir.
É curioso notar que a função do maestro progride de uma marcação de sincronia entre os músicos até assumir um pretensa responsabilidade pela realização musical em sua totalidade, como o verdadeiro e legítimo cérebro pensante da música de concerto. Em muitos casos, ele não vê problemas sequer em assumir inclusive a função pensante das partes constituintes da orquestra, os músicos, que algumas vezes alegremente a cedem ao seu maestro.
Uma orquestra não é um grupo de pessoas leigas sobre o material que lidam diariamente; ainda que em diferentes graus, todo músico dialoga com a tradição musical de seu próprio instrumento e, em condições ideais, conhece-o melhor que ninguém. Limites, timbres, possibilidades interpretativas e as soluções performáticas mais adequadas ao repertório de cada período da história da música. A priori, nenhum maestro tem condições de ensinar como cada um deve tocar; não é sua função, e mesmo que fosse, duvido que estaria apto a fazê-lo, porque é simplesmente impossível a uma única pessoa desenvolver o nível de proficiência técnica e particulariades em todos os intrumentos, o que cada instrumentista em seu mundo particular demora anos para atingir.
É curioso notar que a função do maestro progride de uma marcação de sincronia entre os músicos até assumir um pretensa responsabilidade pela realização musical em sua totalidade, como o verdadeiro e legítimo cérebro pensante da música de concerto. Em muitos casos, ele não vê problemas sequer em assumir inclusive a função pensante das partes constituintes da orquestra, os músicos, que algumas vezes alegremente a cedem ao seu maestro.
Norman Lebrecht em seu livro "O Mito do Maestro" ao mesmo tempo demonstra como construi-se e demonstra a falácia dessa imagem "superfaturada" do regente como a grande estrela de um concerto, auxiliado por pessoas quase sem importancia e eternamente devedoras de tão nobre presença entre eles, a propósito os músicos, e que compõe o pano de fundo visual de uma louca sucessão de gestos e caretas pelo qual recebe os aplausos mais efusivos. E a sedução dessa imagem romantizada é tão forte que não só acumula admiração e suspiros no público leigo, mas sobretudo abduz o próprio senso critico de quem realmente realiza fisicamente as emanações sonoras; faz de músicos experientes meros serviçais.
O maestro é mais um no grupo. Ponto. Sozinho, o maestro não é ninguém; por mais que ele se esforce, sua batuta no ar não produz mais que um leve suspiro. Sem ninguém à sua frente, a orquestra, por outro lado, pode inclusive funcionar melhor. Os músicos ali sentados delegam ao regente uma autorização temporária para permitir que ele conduza os trabalhos como centro unificador das ideias. Pelo bem da realização geral, os músicos abrem mão de convicções pessoais de interpretação para um entendimento comum, e o maestro representa essa coalizão.
É fácil, por outro lado, estravasar essa fronteria e perceber que os músicos sentem-se excessivamente devedores ao regentes, da mesma forma que as pessoas enganam-se a ufanar políticos como donos de um poder absoluto, quando na verdade esse poder emana do desejo social e coletivo pela coalizão. Esse poder, sem demagogias, pertence tanto ao povo quanto aos músicos.
Quem teve paciência de me acompanhar até aqui deve estar perguntando-se se não me acho parcial demais; se o fato de grandes regentes como Toscanini, Mahler, Bernstein e Karajan não realocaram a tradição orquetral num novo patamar performático (não mais alto ou baixo, mas efetivamente diferente); eu posso responder que sim, mas que essa parcialidade não é gratuita. Penso que muito se fala a respeito dos maestros como divas e esquecem-se dos que efetivamente atuam na realização sonora. Acho que todo maestro deveria sentar nas fileiras de orquestra, e repensar sua função em relação a isso, sempre. O "poder" por trás da batuta não é efetivamente seu, mas delegado.
O maestro é mais um no grupo. Ponto. Sozinho, o maestro não é ninguém; por mais que ele se esforce, sua batuta no ar não produz mais que um leve suspiro. Sem ninguém à sua frente, a orquestra, por outro lado, pode inclusive funcionar melhor. Os músicos ali sentados delegam ao regente uma autorização temporária para permitir que ele conduza os trabalhos como centro unificador das ideias. Pelo bem da realização geral, os músicos abrem mão de convicções pessoais de interpretação para um entendimento comum, e o maestro representa essa coalizão.
É fácil, por outro lado, estravasar essa fronteria e perceber que os músicos sentem-se excessivamente devedores ao regentes, da mesma forma que as pessoas enganam-se a ufanar políticos como donos de um poder absoluto, quando na verdade esse poder emana do desejo social e coletivo pela coalizão. Esse poder, sem demagogias, pertence tanto ao povo quanto aos músicos.
Quem teve paciência de me acompanhar até aqui deve estar perguntando-se se não me acho parcial demais; se o fato de grandes regentes como Toscanini, Mahler, Bernstein e Karajan não realocaram a tradição orquetral num novo patamar performático (não mais alto ou baixo, mas efetivamente diferente); eu posso responder que sim, mas que essa parcialidade não é gratuita. Penso que muito se fala a respeito dos maestros como divas e esquecem-se dos que efetivamente atuam na realização sonora. Acho que todo maestro deveria sentar nas fileiras de orquestra, e repensar sua função em relação a isso, sempre. O "poder" por trás da batuta não é efetivamente seu, mas delegado.
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
A propósito, reger sem batuta por si não diz absolutamente nada a priori, mas sempre me chama a atenção ver maestros como Boulez ou Harnoncourt, ambos especialistas em sua área, em suas performances.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
"O inferno são os outros..."
"Um ateu morre e vai para o céu. Chegando lá é recepcionado por São Pedro:
- Hummm… (lendo o livro da vida pregressa do ateu)… infelizmente meu filho, você não pode adentrar no reino celestial. Você, desde jovem, declarou-se ateu. Até mesmo no leito de morte, você ficou firme no seu ateísmo. Lugar de ateu é no Inferno.
Resignado, o ateu desce às profundezas abissais em procura da entrada do Inferno. Lá chegando tem um choque. A entrada do Inferno parece-se com aqueles grandes cassinos de Las Vegas. Logo na entrada, lindas mulheres recepcionam o ateu.
Extremamente surpreso o ateu adentra no Inferno e é recebido por um homem elegantemente vestido com um terno branco e uma flor no bolso do paletó.
- Seja Bem-Vindo, meu grande amigo! (diz efusivamente) Eu sou Satanás, seu anfitrião por toda a eternidade e qualquer coisa que você queira é só pedir diretamente para mim ou para aquelas lindas mulheres. (abaixando a voz) A ruiva de vestido preto vai te levar à loucura.
A imagem do inferno era fabulosa: uma longa pradaria onde o comum era a relva baixa e flores. Ao fundo uma pequena sequência de montanhas.
Percebia-se um pequeno rio à esquerda, onde o ateu reconheceu Nietzsche e Voltaire, com varas de pescar em uma mão e um copo de vinho na outra. Riam alto! À direita, num restaurante com uma enorme varanda, o ateu discerniu somente numa mesa Thomas Paine, Robert Ingersoll e Thomas Jefferson, este último acenando e apontando para um livro em sua mão. Era o último livro de Richard Dawkins.
Confuso, desnorteado, o ateu não consegue entender o que está acontecendo. Só ouve o Satanás ao seu lado, falando como se fossem dois grandes amigos tomando cerveja num barzinho. E ele não parava de falar:
- Meu amigo, aqui você poderá fazer tudo o que você sempre quis. Nada é proibido, desde que você obtenha prazer. (acenando para um homem que passava). Oi Giordano!
O homem retorna o cumprimento. O ateu curioso pergunta:
- Aquele era Giordano Bruno?
- Hã? Ahh… sim! Desculpe-me por não apresentá-lo, mas não se preocupe, pois irá conhece-lo nas noites de quinta-feira. Todas as quintas fazemos jogatina, após o jogo de futebol. O único que não joga é o Karl Marx.
De repente, interrompendo a conversa, o céu fica escuro com nuvens negras e ventos fortes, com descargas de relâmpagos e trovões que parecem anunciar o dia do Juízo Final.
O ateu vê que a pradaria, outrora linda, virou uma fossa abissal que expelia de suas entranhas, labaredas sulfurosas, como línguas demoníacas.
No meio do céu tempestuoso, um homem aparece, gritando loucamente e ardendo em chamas, caindo diretamente na fossa aberta no chão. Tão logo o homem é engolido pelas chamas, tudo volta ao que era antes. A pradaria, Nietzsche e Voltaire no rio e Satanás não parando de falar, como se nada tivesse acontecido.
Perplexo pelo o que viu e não se contendo em curiosidade perante a passividade de Satanás o ateu pergunta:
- Que porra foi isto?
Satanás responde:
- Era um evangélico. Eles preferem o Inferno desta maneira."
Copiei do Bule
- Hummm… (lendo o livro da vida pregressa do ateu)… infelizmente meu filho, você não pode adentrar no reino celestial. Você, desde jovem, declarou-se ateu. Até mesmo no leito de morte, você ficou firme no seu ateísmo. Lugar de ateu é no Inferno.
Resignado, o ateu desce às profundezas abissais em procura da entrada do Inferno. Lá chegando tem um choque. A entrada do Inferno parece-se com aqueles grandes cassinos de Las Vegas. Logo na entrada, lindas mulheres recepcionam o ateu.
Extremamente surpreso o ateu adentra no Inferno e é recebido por um homem elegantemente vestido com um terno branco e uma flor no bolso do paletó.
- Seja Bem-Vindo, meu grande amigo! (diz efusivamente) Eu sou Satanás, seu anfitrião por toda a eternidade e qualquer coisa que você queira é só pedir diretamente para mim ou para aquelas lindas mulheres. (abaixando a voz) A ruiva de vestido preto vai te levar à loucura.
A imagem do inferno era fabulosa: uma longa pradaria onde o comum era a relva baixa e flores. Ao fundo uma pequena sequência de montanhas.
Percebia-se um pequeno rio à esquerda, onde o ateu reconheceu Nietzsche e Voltaire, com varas de pescar em uma mão e um copo de vinho na outra. Riam alto! À direita, num restaurante com uma enorme varanda, o ateu discerniu somente numa mesa Thomas Paine, Robert Ingersoll e Thomas Jefferson, este último acenando e apontando para um livro em sua mão. Era o último livro de Richard Dawkins.
Confuso, desnorteado, o ateu não consegue entender o que está acontecendo. Só ouve o Satanás ao seu lado, falando como se fossem dois grandes amigos tomando cerveja num barzinho. E ele não parava de falar:
- Meu amigo, aqui você poderá fazer tudo o que você sempre quis. Nada é proibido, desde que você obtenha prazer. (acenando para um homem que passava). Oi Giordano!
O homem retorna o cumprimento. O ateu curioso pergunta:
- Aquele era Giordano Bruno?
- Hã? Ahh… sim! Desculpe-me por não apresentá-lo, mas não se preocupe, pois irá conhece-lo nas noites de quinta-feira. Todas as quintas fazemos jogatina, após o jogo de futebol. O único que não joga é o Karl Marx.
De repente, interrompendo a conversa, o céu fica escuro com nuvens negras e ventos fortes, com descargas de relâmpagos e trovões que parecem anunciar o dia do Juízo Final.
O ateu vê que a pradaria, outrora linda, virou uma fossa abissal que expelia de suas entranhas, labaredas sulfurosas, como línguas demoníacas.
No meio do céu tempestuoso, um homem aparece, gritando loucamente e ardendo em chamas, caindo diretamente na fossa aberta no chão. Tão logo o homem é engolido pelas chamas, tudo volta ao que era antes. A pradaria, Nietzsche e Voltaire no rio e Satanás não parando de falar, como se nada tivesse acontecido.
Perplexo pelo o que viu e não se contendo em curiosidade perante a passividade de Satanás o ateu pergunta:
- Que porra foi isto?
Satanás responde:
- Era um evangélico. Eles preferem o Inferno desta maneira."
Copiei do Bule
domingo, 27 de março de 2011
"Crash into me"
Uma banda legal, boa música pontuando a noite... A produção fantasiosa, interpretação e o festival de caretas de Dave Mathews em sua música "Crash in to me".
sábado, 26 de março de 2011
Ele deu a volta por cima? José Arruda, Revista Veja e a piada pronta...
Em matéria publicada no site da revista Veja, o ex-governador José Roberto Arruda fala de ética e moralidade enquanto estava preso no ano passado. O detalhe é que a entrevista foi concedida antes das eleições e só foi publicada agora. Por quê? Dentre uma série de fatores, as pessoas que ele expunha e as eleições que se aproximavam.
O repórter autor da entrevista também foi o da matéria sobre Elenice Guerra, Diego Escosteguy, que saiu da revista pouco depois pela péssima relação que mantinha com o editor de Veja. Estando trabalhando na revista Época, o jornalista pediu autorização à revista para publicar a sua matéria; a autorização foi concedida, mas a revista Veja acabou publicando a matéria sem os créditos na versão online.
Mas do que trata a entrevista? De pérolas dignas de um livro de auto-ajuda, não fosse seu autor quem fosse.
"Os problemas éticos nas casas legislativas são facilitados por uma legislação política e administrativa totalmente atrasada e incompatível com o momento político que o Brasil vive."
"[meu limite] É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição."
Opa, espere um pouco. Não lembra quem é José Roberto Arruda? Segue dois vídeos 'educativos' dele. O primeiro resultou na operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, com 29 mandados de busca e apreensão.
E o segundo é um clássico. Lembro de ter acompanhado isso ao vivo na época. Os primeiros 2:30 minutos são sua defesa apocalíptica e inflamada da calúnia da qual se dizia vítima, suaresponsabilidade na violação do sigilo do painel de votação do Senado. A partir daí até o fim do vídeo, é a sua retratação 4 dias após (mais rápido que a reconstrução da rodovia no Japão!!) o primeiro. Depois do depoimento de Regina Célia Borges, sua versão ficou insustentável e ele teve de vir a público desmentir. No episódio, ele e o senador Antônio Carlos Magalhães ("ah, que saudade eu sinto da Bahia") tiveram de renunciar para não serem cassados. Depois voltaram nas eleições, mas isso é outra história.
Observe o contraste, o descaramento e o nivel de sinismo que chega uma pessao pública, pago para representar as pessoas e decidir as questões sobre educação e cultura, entre outras.
E isso tudo enquanto eu e você lutamos feito um condenado para viver, aprovar projetos com verbas miseráveis, receber bolsas que são uma piada. Nem falo das necessidades básicas da população em geral, porque seria covardia.
Em resumo, invocando Hamlet, tem ou não tem algo de podre no reino da "Dinamarca"?
Audições na OSB 5
Matéria divulgada no blog do Nassif sobre a entrevista de Roberto Minczuk em 23/03/2011, a respeito das audições realizadas na OSB. Ao que parece as audições terminaram na segunda passada e dos 82 músicos, 35 vieram. Posto em seguida dosi comentários dessa matéria no próprio blog do Nassif, que julguei pertinente por serem feitos por dois músicos conhecidos e ambos ex-executantes da OSB. Demonstram pontos de vista e ênfase diferentes, como se há de notar.
Segue a entrevista.
"
"Vamos repatriar nossos 'Ronaldinhos"
Roberto Minczuk, regente-titular da OSB, anuncia seleção em Nova York e Londres e desejo de recuperar talentos brasileiros no exterior
Hoje à tarde, músicos e direção da Orquestra Sinfônica Brasileira tentam reconciliação no Ministério do Trabalho
| Joel Silveira - 22.out.2004/Folhapress |
Maestro Roberto Minczuk à frente da OSB
CRISTINA GRILLO
DO RIO
Pela primeira vez em seus 70 anos, a OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira) fará, em maio, seleção no exterior para contratar instrumentistas. As sessões acontecerão em Londres, em Nova York e no Rio. Há 13 vagas abertas-algumas há mais de dois anos-, mas o número de contratações é indefinido.
Desde janeiro, a orquestra enfrenta uma crise por causa da decisão de avaliar seus músicos. Apenas 35 dos 82 instrumentistas compareceram às audições -os que se recusaram a participar podem ser demitidos.
"Vamos repatriar nossos "Ronaldinhos'", diz Roberto Minczuk, 43, diretor artístico e regente-titular da OSB, sobre a possibilidade de trazer do exterior músicos brasileiros de alto nível.
Hoje será um dia decisivo para a OSB. Em reunião à tarde no Ministério de Trabalho, as duas partes tentarão chegar a um acordo.
Enquanto os músicos querem a suspensão das avaliações, a direção propõe a reabertura do plano de demissões voluntárias -ou seja, sinaliza que aqueles que não participaram das avaliações serão demitidos.
À Folha, Minczuk nega a fama de ríspido e diz que não pretende, por ora, levar a OSB ao exterior.
Folha - As audições de avaliação terminaram na segunda. Qual é o balanço final?
Roberto Minczuk - Dos 82 músicos que deveriam se apresentar, 35 vieram. Temos seis atestados médicos, então essas audições serão remarcadas. Fiquei surpreso. Desde o início, deixamos claro que o intuito não era demitir ninguém, mas dar "feedback" para os músicos e resolver questões da orquestra.
Roberto Minczuk - Dos 82 músicos que deveriam se apresentar, 35 vieram. Temos seis atestados médicos, então essas audições serão remarcadas. Fiquei surpreso. Desde o início, deixamos claro que o intuito não era demitir ninguém, mas dar "feedback" para os músicos e resolver questões da orquestra.
Quais?
A OSB não tem relatórios escritos de avaliações até 2006. A partir daí, temos registro de tudo. Sabemos que, antes, as audições eram feitas com certa informalidade, com repertório simplificado.
Vários músicos nunca fizeram concurso para entrar na orquestra. Temos casos de posições chave, de solistas e até de spallas [o primeiro violino da orquestra] que nunca passaram por audição.
Outra finalidade era dar oportunidade aos integrantes de ocupar categorias superiores. Tenho 13 posições abertas na orquestra há muito tempo. Vários músicos se candidataram a essas posições nas audições. Um de nossos violistas foi promovido após a avaliação.
Só com audições individuais é possível identificar exatamente a afinação de cada um, o vibrato [a oscilação da corda de um instrumento], a qualidade dos instrumentos de cada um...
Percebemos que alguns precisam adquirir instrumentos de qualidade superior. Agora, com a remuneração entre as melhores do país, eles poderão fazer isso. É o que vai fazer a diferença do bom para o ótimo, do ótimo para o soberbo.
A OSB não tem relatórios escritos de avaliações até 2006. A partir daí, temos registro de tudo. Sabemos que, antes, as audições eram feitas com certa informalidade, com repertório simplificado.
Vários músicos nunca fizeram concurso para entrar na orquestra. Temos casos de posições chave, de solistas e até de spallas [o primeiro violino da orquestra] que nunca passaram por audição.
Outra finalidade era dar oportunidade aos integrantes de ocupar categorias superiores. Tenho 13 posições abertas na orquestra há muito tempo. Vários músicos se candidataram a essas posições nas audições. Um de nossos violistas foi promovido após a avaliação.
Só com audições individuais é possível identificar exatamente a afinação de cada um, o vibrato [a oscilação da corda de um instrumento], a qualidade dos instrumentos de cada um...
Percebemos que alguns precisam adquirir instrumentos de qualidade superior. Agora, com a remuneração entre as melhores do país, eles poderão fazer isso. É o que vai fazer a diferença do bom para o ótimo, do ótimo para o soberbo.
Os músicos se queixam de que o nível de exigência do repertório escolhido para as avaliações foi muito elevado.
O exigido é o "standard", o que foi tocado nas últimas temporadas: Beethoven, Brahms... Além disso, pedi uma peça solo, que demonstra o conhecimento de estilo, sonoridade, afinação, coisas básicas, e uma peça de livre escolha. É o básico para qualquer bom músico em qualquer lugar.
Tiveram dois meses, um de férias, outro de trabalho, em que a orquestra pagou para que se preparassem. Um bom músico, em minha opinião, prepara um repertório desses em três semanas.
Estamos oferecendo salários de R$ 9,3 mil a R$ 11,3 mil. Vemos a Osesp crescendo, a orquestra de Minas crescendo. Como a OSB pode ficar acomodada?
Teremos audições abertas em maio no Rio, em Nova York e em Londres. Já temos brasileiros que estudam ou atuam lá fora inscritos.
É a primeira vez que fazemos isso. Agora, com salários competitivos, conseguiremos até repatriar os nossos "Ronaldinhos".
No primeiro semestre, vamos completar a orquestra e, no segundo, quando passa a vigorar a nova remuneração, teremos mais ensaios, mais dedicação. Os ensaios serão de manhã e à tarde, coisa que a OSB nunca fez.
O exigido é o "standard", o que foi tocado nas últimas temporadas: Beethoven, Brahms... Além disso, pedi uma peça solo, que demonstra o conhecimento de estilo, sonoridade, afinação, coisas básicas, e uma peça de livre escolha. É o básico para qualquer bom músico em qualquer lugar.
Tiveram dois meses, um de férias, outro de trabalho, em que a orquestra pagou para que se preparassem. Um bom músico, em minha opinião, prepara um repertório desses em três semanas.
Estamos oferecendo salários de R$ 9,3 mil a R$ 11,3 mil. Vemos a Osesp crescendo, a orquestra de Minas crescendo. Como a OSB pode ficar acomodada?
Teremos audições abertas em maio no Rio, em Nova York e em Londres. Já temos brasileiros que estudam ou atuam lá fora inscritos.
É a primeira vez que fazemos isso. Agora, com salários competitivos, conseguiremos até repatriar os nossos "Ronaldinhos".
No primeiro semestre, vamos completar a orquestra e, no segundo, quando passa a vigorar a nova remuneração, teremos mais ensaios, mais dedicação. Os ensaios serão de manhã e à tarde, coisa que a OSB nunca fez.
Como é atualmente a rotina da orquestra?
O máximo que a orquestra trabalha é até sete ensaios ou concertos por semana, cada um com no máximo três horas. Vamos passar a ter nove funções semanais, com ensaios à tarde como faz a Osesp e orquestras lá fora.
Isso vai exigir dedicação maior. Temos músicos que tocam em mais de uma orquestra. Cada um vai ter que tomar sua decisão.
O máximo que a orquestra trabalha é até sete ensaios ou concertos por semana, cada um com no máximo três horas. Vamos passar a ter nove funções semanais, com ensaios à tarde como faz a Osesp e orquestras lá fora.
Isso vai exigir dedicação maior. Temos músicos que tocam em mais de uma orquestra. Cada um vai ter que tomar sua decisão.
O que vai acontecer com os músicos que faltaram?
Essa é uma questão administrativa, jurídica, que não cabe a mim.
Essa é uma questão administrativa, jurídica, que não cabe a mim.
Mas como diretor artístico, o que o senhor pode fazer?
O conselho vai decidir sobre essa questão. A partir daí, vamos ver como proceder artisticamente.
O conselho vai decidir sobre essa questão. A partir daí, vamos ver como proceder artisticamente.
Será possível continuar a trabalhar com os músicos que se recusaram a ser avaliados?
É cedo para dizer. Temos que nos reunir, conversar. A questão foi levada à Justiça.
É cedo para dizer. Temos que nos reunir, conversar. A questão foi levada à Justiça.
Como foi o desempenho dos que participaram?
Foram bem avaliados. Pretendo me reunir com cada um, fazer ajustes.
Foram bem avaliados. Pretendo me reunir com cada um, fazer ajustes.
Os músicos se queixam de que o senhor é ríspido.
Gostaria que os ensaios fossem transmitidos pela internet. Isso acabaria com esse negócio de dizer que sou ríspido. Sou intenso, muito exigente, mas não sou ríspido. Sei exatamente como cada músico deve tocar.
Evidentemente, se uma pessoa comete o mesmo erro três, quatro vezes, mudo a forma como estou pedindo.
Gostaria que os ensaios fossem transmitidos pela internet. Isso acabaria com esse negócio de dizer que sou ríspido. Sou intenso, muito exigente, mas não sou ríspido. Sei exatamente como cada músico deve tocar.
Evidentemente, se uma pessoa comete o mesmo erro três, quatro vezes, mudo a forma como estou pedindo.
De zero a dez, que nota daria à orquestra?
Há aspectos técnicos, de emoção e de performance a serem levados em consideração. Seriam notas diferentes.
A orquestra tem muita garra, mas precisa aperfeiçoar afinação; é brilhante, mas tem que ser mais precisa tecnicamente. Há ainda variação de concerto a concerto.
O que queremos é constância, uniformidade. Na temporada 2010, fizemos concertos excelentes, outros abaixo da expectativa.
Há aspectos técnicos, de emoção e de performance a serem levados em consideração. Seriam notas diferentes.
A orquestra tem muita garra, mas precisa aperfeiçoar afinação; é brilhante, mas tem que ser mais precisa tecnicamente. Há ainda variação de concerto a concerto.
O que queremos é constância, uniformidade. Na temporada 2010, fizemos concertos excelentes, outros abaixo da expectativa.
O senhor teria confiança de levar a orquestra hoje para uma turnê no exterior?
Ainda não. Por isso precisamos passar pelo processo pelo qual estamos passando."
Ainda não. Por isso precisamos passar pelo processo pelo qual estamos passando."
COMENTÁRIOS
Paulo Sérgio Santos
"Eu sou clarinetista ha mais de 40 anos. Nunca estudei no exterior. So dei aulas e toquei e toco no exterior. Algumas pessoas veem estudar comigo vindo do Japao, Europa e Estados Unidos. So toquei musica brasileira fora do Brasil, erudita ou nao, porque toco as duas coisas e dizem que bem.
Fui primeiro clarinetista durante 18 anos na Orquestra Sinfonica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e ha uns 18 sai dela. Toco no Quinteto Villa-Lobos desde 1977. Nos ultimos anos, fui convidado a participar em concertos na Osesp e OSB. Nunca aceitei porque a remuneracao proposta sempre foi ridicula em relacao ao que ganham os maestros destas instituicoes completamente e, na minha opiniao, burramente endeusados.
Nao tenho NENHUM interesse em relacao ao que se faz na Europa, Japao ou Estados Unidos porque eu tenho compromisso com a musica que eu tenho na minha cabeca e alma. Isso me basta!
Concordo totalmente com a exposicao do Carlos Henrique Machado e repudio totalmente quem utiliza a admiracao pela musica e cultura europeias para DIMINUIR o que ee feito ou foi feito no Brasil.
Eu nao troco a musica do Brasil POR NENHUMA OUTRA DO MUNDO! E conheco musicos brasileiros que nao estudaram no exterior e sao IMBATIVEIS! Pensar em construir orquestras e centros culturais baseados na cultura europeia ou em outra qualquer, para mim (e Mario de Andrade!), eh um grande erro. Um erro crasso que soh eh frequentemente cometido por pessoas que tiveram a infelicidade de nascer no Brasil pois queriam ser europeias ou americanas ou japonesas. Desconheco algum concurso realizado pela Filarmonica de Berlim ou Chicago ou Viena ou Venezuela (que tem uma qualidade excepcional e poucos sabem!) que tivesse audicoes no Rio de Janeiro ou qualquer outra capital brasileira.
Dizer que o Brasil nao tem escola de musica ee o maximo da PRETENSAO e TUPINIQUISMO! Brasileiro que age ou pensa desta forma deveria ser convidado a se retirar do Pais ou ser preso! Chega de "complexo de vira-lata"!
Para mim, Villa-Lobos nao esta entre os 10 melhores compositores do mundo e sim ocupa os 10 primeiros lugares. Depois a gente fala em Bartok, Ligeti, Xennakis, Pierre Boulez dentre tantos outros excelentes compositores.
O mundo estaa muito cheio de cronometros, estatisticas e planilhas e gente boba e equivocada que se impressiona muito com os aparentes resultados maqueados e tecnologia sensacionalista.
Pior do que estas pessoas acometidas por este mau sao as outras IGNORANTES que, poderosas, conferem tanto poder e importancia a individuos e pensamentos completamente malignos e consequentemente mediocres! Alguns sao tao talentosos mas se encontram apodrecidos na sua essencia, doentes e paranoicos, nutridos por essa seiva cujos nutrientes sao o poder financeiro, o poder da midia, a falta de consciencia e a falta do verdadeiro conhecimento do assunto.
Esse comportamento lamentavel ee que nos assegura a qualidade de TERCEIRO MUNDO e nao o inverso!
Gloria aos tupiniquins!
Quando isso vai mudar? EU NAO SEI! Talvez nao mude."
Fernando José Silveira (respondendo a um comentário anterior)
"Caro Brejtmann,
O que você está sujerindo é que contratemos Regentes de fora?? Sua comparação ao futebol, pelo menos para mim, indica isso.
Uma pergunta que o Sr. Minczuk não tem resposta se reporta à sua formação como regente: ele simplesmente não tem! SIM, ele não possui uma formação em regência! Porquê os músicos precisam ter uma formação sólida - em escolas de música e universidades de renome - e ele não?? Parece que os pensamentos do Sr. Minczuk quanto à qualidade musical só não dervem para ele...
Quanto à qualidade de seu trabalho, bem... Trabalhei com ele na OSB durante seus primeiros quatro anos e, comparado a outros grandes maestros com quem trabalhei - como I. Karabichevisky, Masur, Rostropovich etc - podemos dizer que ele ainda é um aprediz. Talentoso?? SIM! Mas, por enquanto só isso...
SIm, o Brazil já teve sua fase de importar regentes e músicos de fora (ou que obtiveram sua formação fora do Brasil) que pudessem contribuir para o desenvolvimento da música por aqui. Nomes?? Noel Devos, José Botelho, Zdenek Svab, Jean Noel Sagard, Szenka etc... Mas hoje, posso te garantir que tanto na música popular quanto na música 'erudita' temos qualidade suficiente para nos sustentarmos.
Não é verdade que não temos escolas de música incapazes de formar bons músicos. É verdade que encontramos mais dificuldades - principalmente no que tange à recursos materiais. Porém vejo que encaramos estas dificuldades com muita responsabilidade. Temos excelentes professores em todos os cantos de nosso país. Digo isso porque, nos últimos 5 anos - tenho sido constantemente convidado a dar aulas e a tocar por todo o mundo e posso atestar que nossos músicos não deixam nada a dever as colegas estrangeiros. Muito pelo contrário: o contato com nossa rica cultura brasileira permite ao músico brasileiro diferenciais que outros gostariam de ter...
Cabe a pergunta: por que o 'mundo da música' se coloca firmemente contra as decisões do Sr. Minczuc?? Eles não são brasileiros e nos apoiam porque querem... Será um complô contra o Sr. Minczuk?? Ou será que os problemas referentes à música só podem ser realmente entendidos por que dela participa e conhece??"
O Japão e a reconstrução do país
Dia desses vi uma piada que comparava a capacidade de superação japonesa com a nossa, brasileira. Diziam que mais rápido o Japão reconstrói o país inteiro que o Braisl termina um único estádio para a copa do mundo de 2014. Claro, isso não é piada, mas uma triste realidade no nosso caso. O Japão, por outro lado, pode ter uma série de problemas culturais, mas forçosamente, são imbatíveis na própria superação.
Pois bem, eis que sou surpreendido com a notícia vinculada pelo portal do G1 sobre a reconstrução de uma rodovia em absurdos seis dias!! Sim, isso mesmo, SEIS DIAS! E com fotos pra comprovar...
11 de março de 2011
17 de março de 2011
Bom, sem comentários. Nem preciso dizer que se fosse por aqui, ainda estariam "estudando" uma forma de realizar a melhor licitação, no bom interesse de alguns, o que levaria a materiais de segunda categoria, camada de asfalto fina, entre outras coisas.
Particularmente, não sou desses que acha que tudo que é lá de fora é o melhor. Mas acho que um patriotismo sem sentido não nos ajuda. Temos muito o que melhorar em nossa política, nossa cultura, nosso conhecimento geral, e devemos ser nossos maiores críticos, exatamente porque somos nós que melhor conhecemos nossas fraquezas e problemas.
Exportamos matéria prima, somos privilegiados geologicamente, temos uma diversidade étnica vivendo em invejável harmonia, MAS ainda somos incipientes em gerir nossa sociedade numa trilha sustentável, sem que alguém saia ganhando absurdos em detrimento da perda substancial e diária de muitos outros; frequentemente, os já tão pobres e miseráveis. E basta que a imprensa retire-se das manchetes diárias que nada mais é feito. Arrisco-me a dizer que muitas das vítimas da enchente em Nova Friburgo ainda esperam por socorro, bem como a reconstrução da cidade.
Se a sociedade que queremos é aquela que plantamos, e a julgar pelo que plantamos em linhas gerais, ainda vamos demorar um pouco a colhê-la.
Fonte da matéria e fotos: G1.
sábado, 19 de março de 2011
Audições na OSB 4
Matéria publicada por Nelson Rubens Kunze, na versão online da revista Concerto. Segue:
"Por uma nova OSB (12/3/2011)
Por Nelson Rubens Kunze
"Por uma nova OSB (12/3/2011)
Por Nelson Rubens Kunze
Estou acompanhando atônito os desdobramentos da crise da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Como todos sabem, músicos se rebelaram contra um processo de reavaliação de performance decidido pela direção da orquestra e pela Fundação OSB. A ideia, segundo tem repetido insistentemente o maestro Roberto Minczuk, é a de reclassificar artisticamente o grupo. Músicos protestam e boicotam as audições, na internet ecoam queixas e até o blog do influente crítico inglês Norman Lebrecht entrou na história [clique aqui para ler].
Surpreendeu-me a dimensão que o assunto assumiu. Estamos falando da reavaliação de instrumentistas de um grupo que há pouco mais de 5 anos era um simulacro de orquestra. Simulacro mesmo! Não foram raras as vezes em que a Revista CONCERTO lamentou a situação de penúria e abandono a qual a OSB, uma das mais importantes orquestras do país, estava relegada. Com a nomeação do maestro Roberto Minczuk, em 2005, a coisa mudou. Houve em sua gestão uma pequena revolução, que teve entre as suas principais conquistas a revalorização do músico e de seu trabalho. Não será isso o que significa a realização de temporadas sinfônicas com renomados solistas e maestros internacionais (Kurt Masur já seria suficiente, mas é uma lista extensa)? Ou concertos com teatros lotados em palcos nobres como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro ou a Sala São Paulo? Ou ainda salários e remunerações pagos mensalmente? Há poucos anos não era bem isso o que se passava.
Mas a pequena revolução não foi apenas do maestro Minczuk. Houve um grande empenho para mobilizar um atuante conselho para a Fundação OSB (isso não deve ser desprezado, seu conselho reúne personalidades eminentes e um presidente com raro engajamento), houve empenho para conseguir formar uma administração moderna e eficiente com profissionais que estão entre os mais preparados do ramo, e, talvez o mais importante, logrou-se sensibilizar grandes patrocinadores e apoiadores. Após anos de sufoco, a OSB começou a respirar novamente. Isso, no Brasil, é uma pequena revolução. Desconfio que no Rio de Janeiro seja um tsunami cultural...
Mas sejamos realistas: a orquestra, em uma escala de 0 a 10 , foi, digamos, de 3 para 6. Não é pouco, pelo esforço que custou e pelo movimento que causou. Mas está muito aquém do que a cidade do Rio de Janeiro e o Brasil merecem. A Cidade Maravilhosa quer uma grande Orquestra Sinfônica Brasileira, profissional, geradora de cultura e inserida no debate cultural contemporâneo. Uma orquestra que possa orgulhar o país que abrigará a Copa do Mundo, e que possa orgulhar a cidade das Olimpíadas de 2016. E convenhamos que para isso falta alguma coisa.
A Fundação OSB não está propondo uma reavaliação de performance de uma orquestra consolidada em um grande centro europeu ou norte-americano. Também não se trata de reaudições em algum conjunto do interior da Inglaterra ou de uma orquestra de alguma cidade da província alemã. Creio que o que se pretende é a construção – sim, estamos em pleno processo de construção! – de uma moderna orquestra sinfônica internacional em uma das mais belas metrópoles do mundo, em um país que recentemente alcançou à sétima posição na economia global. A OSB, com sua história de 70 anos, merece essa oportunidade, e desde alguns anos há um esforço evidente nesse sentido.
Posto isso, parece coerente a decisão da Fundação OSB em promover a avaliação de performance como medida para a classificação artística de seus instrumentistas. Não será uma imposição unilateral e autoritária guiada pela vontade do maestro ou diretor artístico. Haverá uma banca internacional, isenta e imparcial. E o processo terá uma contrapartida, que é um novo patamar salarial. Assim a Fundação OSB finalmente estabelecerá condições para um vínculo empregatício que poderá garantir, também, a necessária segurança para futuras aposentadorias.
Oxalá a OSB possa seguir contando com o grupo de exímios instrumentistas que hoje a integra, e que contribuiu decisivamente para o atual nível de suas realizações. E que o processo auxilie também para o amadurecimento de modernos processos de gestão, próprios de uma orquestra sinfônica do século XXI."
quarta-feira, 16 de março de 2011
Edvirges...
Sentada na soleira da porta, ela passava o dia vigiando as pessoas que ali passavam
E a vida da cidade era como uma grande parada que se descortinava em desfile à sua frente
Contudo, embora nada que se passasse fora de si lhe escapasse,
Tão embebida estava com o alheio
Era cega, surda e muda ao único fato digno de nota naquele hábito:
Fazendo da vida dos outros a sua, transferia a eles o objetivo da sua própria...
Tinha motivos de sobra para rir das situações mais banais, de condenar, comentar
Ser juiz e júri de uma infinidade de casos, todos sob sua onisciente jurisdição
Mas ela mesma não lembrava de quando havia voltado tão judicioso crivo contra si
E não lembrava do último grande amor que teve, se já o teve
Nem nunca permitia-se rir de si própria; tornar-se ela a notícia
Não se arriscaria a ser alvo daqueles que, como ela, também varavam o dia nas janelas
Como sentinelas de um castelo abandonado, eram algozes e vítimas das celas que criaram
Como eles, ela também vivia através da compensação do saber sem vivenciar
E projetava na vida dos que não lhe diz respeito um sentimento de posse, uma legitimidade
Como se fosse sua por direito, embora nada daquilo lhe dissesse respeito de fato
Presa na sua ninharia, naquela cidade com umas poucas ruas, pequena e esquecida
Assim passava os dias, na soleira, testemunha de um drama que não era seu,
Nem nunca poderia ser
Nem nunca poderia ser
Uma eterna coadjuvante da própria vida na peça que diariamente escrevia...
terça-feira, 15 de março de 2011
Carl Sagan renovado
A locução original de Carl Sagan para sua série Cosmos, com imagens ao redor do mundo atualizadas pela Nasa e legendadoi pelo Bule Voador. Recomendo ver em tela cheia.
segunda-feira, 14 de março de 2011
O Samurai e seus demonios
Um espetáculo muito legal, com uma interação perfeita entre o ator e as luzes.
domingo, 13 de março de 2011
Direto ao ponto com Philip Pulman...
Rapaz, certo ou errado, isso sim é que é ter uma opinião formada sobre algum assunto.
Shakespeare revisado.
A regravação pelo SBT em 1991, anteriormente feita pela antiga Record em 1968, da versão hilária de Romeu e Julieta, com Hebe Camargo, Nair Belo, Ronald Golias e grande elenco. Isso sim é uma boa forma de começar o domingo!
1968
1991
Versículos...
Nada como o bom e velho Ezequiel para animar o domingo (grifos meus).
Ezequiel 5
"7 Portanto assim diz o Senhor Deus: Porque sois mais turbulentos do que as nações que estão ao redor de vós, e não tendes andado nos meus estatutos, nem guardado os meus juízos, e tendes procedido segundo as ordenanças das nações que estão ao redor de vós;
8 por isso assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, sim, eu, estou contra ti; e executarei juízos no meio de ti aos olhos das nações.
10 portanto os pais comerão a seus filhos no meio de ti, e os filhos comerão a seus pais; e executarei em ti juízos, e todos os que restarem de ti, espalhá-los-ei a todos os ventos.
11 Portanto, tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, pois que profanaste o meu santuário com todas as tuas coisas detestáveis, e com todas as tuas abominações, também eu te diminuirei; e não te perdoarei, nem terei piedade de ti.
12 uma terça parte de ti morrerá da peste, e se consumirá de fome no meio de ti; e outra terça parte cairá à espada em redor de ti; e a outra terça parte, espalhar-la-ei a todos os ventos, e desembainharei a espada atrás deles.
13 Assim se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor, e me consolarei; e saberão que sou eu, o Senhor, que tenho falado no meu zelo, quando eu cumprir neles o meu furor."
Obs: Me veio à cabeça aquela frase da música "Índia": (...) e a doce meiguice desse teu olhar (...).
Ezequiel 5
"7 Portanto assim diz o Senhor Deus: Porque sois mais turbulentos do que as nações que estão ao redor de vós, e não tendes andado nos meus estatutos, nem guardado os meus juízos, e tendes procedido segundo as ordenanças das nações que estão ao redor de vós;
8 por isso assim diz o Senhor Deus: Eis que eu, sim, eu, estou contra ti; e executarei juízos no meio de ti aos olhos das nações.
(...)
10 portanto os pais comerão a seus filhos no meio de ti, e os filhos comerão a seus pais; e executarei em ti juízos, e todos os que restarem de ti, espalhá-los-ei a todos os ventos.
11 Portanto, tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, pois que profanaste o meu santuário com todas as tuas coisas detestáveis, e com todas as tuas abominações, também eu te diminuirei; e não te perdoarei, nem terei piedade de ti.
12 uma terça parte de ti morrerá da peste, e se consumirá de fome no meio de ti; e outra terça parte cairá à espada em redor de ti; e a outra terça parte, espalhar-la-ei a todos os ventos, e desembainharei a espada atrás deles.
13 Assim se cumprirá a minha ira, e satisfarei neles o meu furor, e me consolarei; e saberão que sou eu, o Senhor, que tenho falado no meu zelo, quando eu cumprir neles o meu furor."
Obs: Me veio à cabeça aquela frase da música "Índia": (...) e a doce meiguice desse teu olhar (...).
quinta-feira, 10 de março de 2011
EUA x cultura geral...
...ou o que dá ficar alienado achando-se o maior de todos.
Em tempo: note que na exibição do mapa, eles trocam os nomes dos países impressos e ninguém se dá por conta. Destaque para onde um deles põe a França.
Em tempo: note que na exibição do mapa, eles trocam os nomes dos países impressos e ninguém se dá por conta. Destaque para onde um deles põe a França.
Assinar:
Postagens (Atom)