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sábado, 14 de maio de 2011

Sugestões de presentes...

Chegando aquele aniversário e não sabe o que dar? Segue algumas (boas?) ideias:

Dispositivo Anti-topada no escuro
Porque sua canela não é feita pra achar coisas no escuro




Esfriador de macarrão
Queimar a lingua nunca mais 
 
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Despertador com quebra-cabeça
Só para de tocar quando vc acerta a combinação!
 

5B933D1B1E094FB897151330F91721D0@Esther 


Máquina de costura com tração animal
Vc trabalha e exercita seu bichinho...
 
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Porta gatos
Prático e confortável (para vc, não para o gato, claro)
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Teste de voltagem
Da série "faça vc mesmo" ou "chave teste pra quê?" 



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terça-feira, 10 de maio de 2011

Handel acalma cachorros

Inusitado, pra dizer o mínimo...


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como vencer psicologicamente uma criança

Um J.S.Bach inusitado: definitivamente, propaganda é tudo...

A genialidade, o trabalho criativo e absolutamente sensacional; sim, podia ser de Bach que estava falando, mas nesse caso, refiro-me aos produtores desse comercial. Depois de ver o trabalhão que esses caras passaram pra rodar uma única música, juro que nunca mais reclamo de estudar meu instrumento.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Star Wars - animação

Uma animação legal, com Darth Vaider como maestro. No filme, ele é Anakin, um garoto que vai se transformando durante os seis filmes até assumir sua faceta autoritária e déspota, indo para o lado negro da força, corrompendo os que o cercam e impodo-se através do medo... hm... pensando bem... não, nada a ver com os maestros. Bom, a não ser o fato de eu conhecer uma dúzia de maestros que iam adorar um sabre de luz como batuta.

Sobre o casamento no Reino Unido

Recebi por e-mail e achei muito bem escrito. Resolvi postar essa matéria, atribuída a Marco Evers e com tradução de Deborah Weinberg.

"O casamento real de William e Kate na sexta-feira (29/3) será uma piada, uma celebração irremediavelmente exagerada de um sistema absurdamente antidemocrático, segundo o correspondente do “Spiegel” em Londres, Marco Evers. Ele se apieda pela perda iminente de liberdade da noiva e se pergunta por que esta nação excêntrica continua a adorar a família Windsor.

A coisa toda parece uma aberração da história.

Está errado quando o chefe de Estado de um país só pode vir de uma família. Está errado fornecer a este clã palácios, terras e toda forma de bolsas para poupar seus membros da indignidade de terem que ganhar a vida e permitir-lhes que vivam no luxo. Está errado se dirigir aos Windsor como Sua Alteza Real ou mesmo Sua Majestade, como acontecerá depois da sexta-feira com a adorável Kate Middleton. Está errado vê-los como qualquer coisa além de pessoas feitas de carne e osso, como eu e você.

Milhões de britânicos sabem disso. O jornal “Guardian” quer abolir a monarquia, assim como o “Independent” e a revista “Economist”. Muitos professores, diretores de cinema, autores, atores e políticos gostariam que o Reino Unido se tornasse uma república –mas eles continuam sendo uma minoria que, por anos, ficou constante em torno de 18% da população.

Cherie Blair, a difícil esposa do ex-primeiro-ministro Tony, certa vez recusou-se a fazer uma reverência para Elizabeth Windsor, mas a maioria dos britânicos gosta de fazer isso e ainda mais pela Rainha e o País. Os Windsor são a família real mais cara da Europa, mas o povo continua pagando sem reclamar, ao menos enquanto a Rainha Elizabeth está viva.

A Rainha é dona de todos os cisnes, baleias e esturjões

O Reino Unido, contudo, é um país estranho. Não tem constituição escrita, mas tem um sistema de classe rígido. Os advogados usam perucas no tribunal e não há cidadãos, apenas súditos. Por lei, todos os cisnes, todas as baleias e todos os esturjões são propriedade da Rainha, mas não há um time de futebol nacional.

E se a Rainha quiser dar essa honra a algum de seus súditos, ele pode orgulhosamente ser chamado de “Oficial”, ou até de “Comandante da Ordem do Império Britânico”. Que diabos esses títulos querem dizer? Grande parte desse salamaleque parece tão antiquada quanto o metrô de Londres.

Os soldados britânicos estão lutando pela democracia no Afeganistão e Líbia, e eles lutaram por ela no Iraque. Mas em casa, eles defendem a ideia absurdamente não democrática que ninguém além de um Windsor pode ser chefe de Estado. Assim que Elizabeth, que tem 85 anos, deixar seu invólucro mortal, seu filho Charles, de 62 anos, já desgastado por sua longa espera para a acessão, assumirá o trono, apesar das pesquisas de opinião mostrarem que a maioria dos britânicos não querem que o príncipe esotérico e introspectivo se torne rei. A pompa e a cerimônia em torno do casamento de William e Kate é a mais recente expressão da excentricidade britânica –mas uma grande parte do mundo parece também estar sucumbindo ao seu apelo.

Sim, as carruagens de ouro e veludo são bonitas, o cortejo da noiva será uma verdadeira visão e a abadia de Westminster é um cenário bastante espetacular para a cerimônia. Mas será que vale todo esse fuzuê? Mais de 10.000 jornalistas estão baixando em Londres. Os canais alemães ARD, ZDF, Sat 1, RTL, n-tv e N24 dificilmente vão transmitir qualquer outra coisa na sexta-feira. Todo mundo está fingindo que este espetáculo é o evento mais importante e bonito da Terra –mas não é.

Estranhamente, o público britânico não está tão interessado no casamento quanto se pensa. A maior parte diz que não liga para o evento. Somente um terço planeja assistir ao espetáculo na televisão. E comparada com as núpcias reais anteriores, relativamente poucos planejam tomar parte nas festas de rua tradicionais. No centro de Londres, os hotéis estão com muitas vagas, apesar de estarem oferecendo descontos para o final de semana.

Milhões de súditos da Rainha já fugiram da ilha em companhias áreas mais baratas antes da Páscoa e agora estão ocupando as praias da Turquia, Chipre, Egito e Caribe. Com certeza, o tempo será melhor do que em Londres, onde a previsão para sexta-feira é de chuva.

O Reino Unido ainda está mergulhado em sua pior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial. Todos deveriam estar arregaçando as mangas para tirar a nação da depressão. Mas o governo declarou o dia do casamento feriado, e as escolas, bancos, escritórios e fábricas estarão fechados –só porque o herdeiro do herdeiro do trono está se casando. O feriado extra pode levar a uma ocupação maior dos bares do país, mas vai terminar custando bilhões à economia.

Um casamento ditado pelo protocolo do palácio

Na verdade, o casamento de William e Kate é um triste espetáculo. Os dois jovens não estão se casando da forma que gostariam, mas como o palácio, o protocolo e a vovó exigem.

William, 28, está acostumado a isso porque nasceu dentro disso. Mas para Kate, 29, sexta-feira vai marcar o fim da liberdade. Para seus pais, será um pouco como a morte da filha. Ela não vai pertencer mais a eles –será elevada a uma forma de ser humano aristocrático distante, sempre indisponível para aquele jantar improvisado com mamãe e papai.

Casamento de conto de fadas? Nem de perto.

Alguns amigos e parentes estarão presentes na abadia de Westminster, mas a maior parte dos convidados será de estrangeiros, e alguns deles serão repulsivos. O rei Mswati, o déspota da nação empobrecida de Suazilândia, que tem 13 mulheres, virá com sua comitiva de 50 pessoas. Os potentados árabes também foram convidados, alguns dos quais atualmente estão matando manifestantes pela democracia em suas ruas. Quem gostaria de se casar em tal companhia?

Metade do gabinete britânico vai participar da festa, junto com o líder da oposição trabalhista Ed Miliband, que sustenta o título grandioso de “Líder da Oposição Leal de sua Majestade”. O antigo primeiro-ministro conservador John Major estará presente. Mas os dois últimos primeiros-ministros trabalhistas, Tony Blair e Gordon Brown, não foram convidados. Será uma punição por terem apoiado a proibição da caça à raposa? Por que o autocrático sultão de Brunei foi convidado e não os dois líderes anteriores de um governo britânico democraticamente eleito?

O mundo todo está esperando para admirar o vestido de casamento de Kate. O estilista ficará afogado em trabalho depois disso. Mas aquela que vestirá o vestido enfrenta um futuro que de fato não deve ser desejável para uma mulher inteligente do século 21. Kate terá apenas três tarefas de agora em diante: servir a seu marido, ser bela e gerar filhos, preferencialmente meninos. Além disso, tudo o que tem a fazer é ficar calada.

É como nos anos 50 –só que muito pior, porque terá que continuar a reverenciando a Rainha e os outros membros da hierarquia da família com a qual está casando.

A coisa toda parece muito pior do que uma aberração da história. É uma piada."

quinta-feira, 28 de abril de 2011

"Deixa jesus em paz!"

Em homenagem à páscoa....

Nos tempos em que frequentei grupos de jovens, sempre fiz encenações do tipo nascimento/morte de jesus; já vi muita coisa bizarra, sem dúvida. A gente ensaiava quase um mês e na hora o negócio virava de ponta cabeça às vezes; quem imaginaria o profeta Isaías entrando por um lado do cenário e saindo do outro sem dizer uma palavra porque esqueceu? Os reis magos (caracterizados já) tomando uma no bar da frente e entrando escorados um no outro, errando as falas? A estrela de Belém prender no fio no meio da igreja e meu mano Vladi puxando do outro lado até ela sair a mil, quando deveria mover-se devagar? E eu de José observando tudo, sentindo-me entre o atônito e o divertido.

Bom, agora sei que mazelas como essas acontecem em qualquer lugar. O vídeo a seguir era pra ser uma encenação pública da paixão de cristo recentemente (19/04/11) em São João Del Rei-MG e eis que surge alguém defendendo jesus! Inicialmente mudo, você não o percebe na cena imediatamente, mas ele está lá... e quando a chance surge, ele não perde tempo; exaltado, diz que Poncio Pilatos seria excomungado, briga com o elenco, os padres interveem para retirá-lo, enfim comanda a festa! No fim, quando a gente pensa  que sumiu, reaparece no meio da multidão mandando matar Barrabás e soltar jesus... biblicamente incorreto mas (por isso mesmo?) sensacional!


domingo, 17 de abril de 2011

Rémi Gaillard

A maluquice e a irreverência desse francês que é uma viagem. Seu estilo é chegar do nada com algo tão surreal que ninguém espera.

Comédia total, pra rolar de rir...

Imagine você caçando e do nada, isso:

Ou isso:

As fantasias sempre tem um sentido, mas claro, nem todo mundo está com humor pra entender. 

Essa é demais...

Uma melhor que a outra! Essa é sem dúvida original.

Mas, o meu preferido é esse, sem dúvida nenhuma!! Um clássico com ele e toda sua equipe!

Preconceito


Direto do Não Salvo

sábado, 16 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ultraje a rigor - "Pelado" e "Nós vamos invadir sua praia"

O clássico dos clássicos; a bateria nervosa, a voz desengonçada do Roger... música inspirada de um puta rock brasileiro.



Bônus track: O inglês impecável de Roger no clássico de Jerry Lee Lewis.

A arte de não dizer coisa com coisa

Pe. Fábio Júnior de Melo ensina como não dizer absolutamente nada soltando frases bonitas e desconexas. Com um pianinho no melhor estilo 'Ricardo Cleideman', ele desfia com voz pausada e gestos calculados uma séria de contradições sobre questões homossexuais de espectadores de seu programa, que incluem "o grande problema da homossexualidade", "ninguém tem o direito de julgar", "homossexualismo não é o pior dos problemas", "não temos o direito de entregar condenação a ninguém", "quanto mais cedo você descobre, mais fácil é de reorientar... a psicologia acredita nisso!"

Sério? Quem lhe deu o aval de falar pela psicologia? Já ouviu dizer que as terapias de "reorientação sexual" são um rótulo dado a correntes de movimentos "ex-gay", que são escancaradamente religiosos e contradizem a Organização Mundial de Saúde

"The West Wings" X Bíblia e homossexualismo

No seriado norte americano "The west wing", o personagem de Martin Scheen ensina com poucas palavras como colocar um preconceituoso arrogante em seu lugar.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Noticia importante do dia

"Lady Gaga cai do piano durante show".

Pois é, pensei a mesma coisa: que diabo ela foi fazer em cima do piano???! Dá uma olhada:



E que negócio é aquele de fogo sobre o piano? Por favor... se é pra incendiar, tem que fazer direito! Por exemplo:

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A tragédia no Rio e outras coisas...

Muito se falou daquilo que foi com certeza uma das coisas mais marcantes na mídia atual; o assassinato de crianças completamente indefesas e inocentes por um desequilibrado armado. E o paradoxal é que por mais que se fale, não é possível encontrar um argumento que justifique a barbárie. Você nunca imagina que aquele seu vizinho calado e sem amigos vai um dia virar capa das revistas e jornais do país por uma coisa dessas; nem que os repórteres virão até seu portão querendo saber sobre como ele era, o que fazia, e você só vai poder dizer coisas triviais: que quase não tinha contato, que não imaginava isso, que ontem mesmo viu ele no mercado...

As notícias sobre quem esse assassino era são desencontradas em geral, mas sabe-se que era ex-aluno da escola e que sofria bulling; que, ao que tudo indica, tinha sérios problemas de relacionamento; era de família evangélica, mas sua carta denota traços que tinha conhecimento da doutrina islâmica e que passada o dia no computador; e que adquiriu as armas por pífios R$ 260,00. O rapaz era psicótico e tinha histórico familiar; não chegava atrasado no serviço nunca e, embora não falasse com as pessoas que não eram da sua religião, os vizinhos o consideravam tranquilo. A sensação de insegurança cresce nesses momentos, por que o perigo vem de onde você não espera; de onde não há como defender, como uma bomba escondida que explode sem nenhum aviso. Não pude deixar de pensar nos homens bombas e em atentados dessa natureza.

Por falar em natureza, não há dúvidas pra mim que a religião ofereceu a ele um arcabouço conceitual para justificar suas atrocidades; sua carta demonstra bem o quão alucinado ele estava por um ideal de "pureza", de castidade, de ritos e atos com clara conotação espiritualista. Claramente ele acreditava em deus, e pessoalmente não tenho dúvidas que a crença em uma vida após a morte foi um dos fatores que o fez abreviar a sua aqui (e a de outras pessoas). Provavelmente, em seu pensamento insano, ele achou que reveria todos do outro lado, pediria desculpas, e tudo ficaria bem. Diria às suas vítimas que sente muito, quase que "foi mal", mas que não estava de posse do seu juízo; porém tinha a certeza que seria perdoado, ou ao menos se preocupava com isso. Sua carta é taxativa ao pedir um fiel seguidor de deus para ir uma vez à sua sepultura orar por ele. E termina a carta passando uma lição de moral em todos falando em respeitar os pais. O cara que matou a sangue frio meninos e especialmente meninas só sabia falar de deus e de seres puros e impuros. E aí, Datena, esse cara tinha deus no coração. Vai dizer o que agora? Me desculpem quem não concorda, mas a religião operou sim em transformar um transtornado mental num assassino.

Como já comentei outras vezes aqui, eu sempre penso "e se nada disso for real?" Se essas vidas tiradas foram todas em vão sobre o que ele próprio achava? E se, a partir do momento em que foi alvejado pelo PM, seu corpo acelerou o processo de decomposição em que todos nós caminhamos desde que nascemos e a luz dos seus olhos apagou-se pra não mais acender? Sem tunel de luz, portais, anjos, fumaças, vozes... simplesmente o vazio de quem dorme sem jamais acordar. Não é preciso continuar muito nessa linha pra saber que, se aceitarmos isso, então toda morte de qualquer natureza, mas especialmente a de cunho religioso é uma tremenda e grotesca ode à ignorância.

Isso porque, no fundo, ninguém sabe de nada. Jesus, o filho de deus? Buda, o iluminado? Maomé, o profeta? Ora, por favor... o que falta às pessoas para perceberem que todo esse escopo religioso baseia-se numa longa tradição oral... e só! Não há uma única evidência independente de nada disso. A corda de salvação dessas pessoas é a "revelação pessoal". Uma revelação que pode ser tão boa quanto ruim (porque muito provavelmente, esse cara teve uma revelação também) e que, no final das contas, é imprecisa porque nossa própria natureza é imprecisa. Não percebemos o mundo como ele é, mas como nossos corpos evoluíram ao longo de milhares de anos para percebê-lo.

O que é mais desconcertante na história desse rapaz perturbado é saber que no fundo, seus atos pareciam justificáveis pra ele; mesmo que pedisse perdão, o que demonstra certa consciência do que faria, parecia achar-se imbuído de uma verdade que só era revelada para ele. Isso ferra o juízo de qualquer um. Se ele fosse um cidadão sem tantas neuras, a ausência de senso crítico que sua educação religiosa o habituou ("acreditar porque sim", "o pastor/rabi/padre falou então deve ser verdade", "está na biblía então é verdade incontestável", "não preciso justificar minha crença", etc), provavelmente não faria vítimas dessa forma. Mas nem sempre as pessoas estão em seu juízo normal, e nessas horas, faz toda a diferença se você acredita que existem escolhidos e uma vida eterna ou se somos só nós por nossa conta e risco, com a escolha em nossas mãos de fazermos dessa vida o melhor que pudermos.


...

domingo, 10 de abril de 2011

Jonathan Livingston Seagull

(ou Fernão Capelo Gaivota)

Longe vai o tempo em que vi esse filme pela primeira vez, no saudoso Colégio Pedro Bittencourt, lá em Imaruí. Era aula de alguma coisa que não lembro mais, e a fita cassete torcia toda hora. A temática não é nada demais, e baseia-se em livro homonimo de Richard Bach, que revela uma apologia fortemente espírita. Ainda assim, mesmo hoje as imagens do filme impressionam-me, especialmente as do começo. 

O filme começa mostrando as gaivotas em uma árdua e sangrenta luta pelos peixes que caem do barco pesqueiro, e depois corta para mostrar um único espécime solitário acima das nuvens, pensando sobre sua existência e estudando formas de aprimorar-se, de voar mais rápido. A mudança de ambiente é tão brusca e tão contrastante que nunca mais saiu da minha cabeça. Claro, já história do filme hoje é outra história...

A música do filme é composta por Lee Holdridge e interpretada pelo vozeirão de Neil Diamond.


Foto-mensagem aos religiosos fanáticos

Para saber se você entendeu, responda à seguinte pergunta: o velhinho acima é...?

(  ) Papai Noel

(  ) Gandalf

(  ) O velho do saco

(  ) Charles Darwin



Dica: A imagem não é de deus...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Terremoto no Ceará

O Governo Brasileiro instalou um sistema de medição e controle de abalos sísmicos no país. O Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, já detectou que haveria um grande terremoto no Nordeste.
Assim, enviou um telegrama à delegacia de polícia de Icó, no Ceará, com a seguinte mensagem:
"Urgente.Possível movimento sísmico na zona.
Muito perigoso. 7 na escala Richter.
Epicentro a 3km da cidade.
Tomem medidas e informem resultados."

Somente uma semana depois, o Centro Sísmico recebeu um telegrama que dizia:

"Aqui é da Polícia de Icó. 

Movimento sísmico totalmente desarticulado. 
Richter tentou fugir, mas foi abatido a tiros. 
Desativamos a zona. Todas as putas estão presas. 
Epicentro, Epifânio, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos. 
Não respondemos antes porque teve um terremoto da porra aqui !!!"

segunda-feira, 4 de abril de 2011

John Lennon & Chuck Berry - Johnny B. Goode




PS1: O solo de guitarra do John Lennon prova que quando o técnico [de som] é um filha da puta, não tem técnica que  dê jeito.

PS2: Aposto que aquela batendo o atabaque à direita completamente avulsa do contexto é a Yoko Ono.

sábado, 2 de abril de 2011

O cérebro é uma biblioteca...

Animação genial...

LIBRARY from singsfish on Vimeo.

Dos regentes sem batuta

Talvez por uma idéia fixa e transmitida tacitamente em meios musicais, não é dificil encontrar regentes que não só não abrem mão da batuta na execução musical, como postam com ela em fotos diante da orquestra ou (pior ainda) sozinhos; uma necessidade de auto-afirmação que me soa, no mínimo, estranha. Sempre acho o papel do regente super valorizado na cultura de orquestra moderna. O culto a essa pessoa que não produz nenhum som, mas que com frequencia colhe sozinho em frente às orquestras os méritos por seus feitos me parece antes de tudo uma injustiça. E explico porque.

Uma orquestra não é um grupo de pessoas leigas sobre o material que lidam diariamente; ainda que em diferentes graus, todo músico dialoga com a tradição musical de seu próprio instrumento e, em condições ideais, conhece-o melhor que ninguém. Limites, timbres, possibilidades interpretativas e as soluções performáticas mais adequadas ao repertório de cada período da história da música. A priori, nenhum maestro tem condições de ensinar como cada um deve tocar; não é sua função, e mesmo que fosse, duvido que estaria apto a fazê-lo, porque é simplesmente impossível a uma única pessoa desenvolver o nível de proficiência técnica e particulariades em todos os intrumentos, o que cada instrumentista em seu mundo particular demora anos para atingir.

É curioso notar que a função do maestro progride de uma marcação de sincronia entre os músicos até assumir um pretensa responsabilidade pela realização musical em sua totalidade, como o verdadeiro e legítimo cérebro pensante da música de concerto. Em muitos casos, ele não vê problemas sequer em assumir inclusive a função pensante das partes constituintes da orquestra, os músicos, que algumas vezes alegremente a cedem ao seu maestro.

Norman Lebrecht em seu livro "O Mito do Maestro" ao mesmo tempo demonstra como construi-se e demonstra a falácia dessa imagem "superfaturada" do regente como a grande estrela de um concerto, auxiliado por pessoas quase sem importancia e eternamente devedoras de tão nobre presença entre eles, a propósito os músicos, e que compõe o pano de fundo visual de uma louca sucessão de gestos e caretas pelo qual recebe os aplausos mais efusivos. E a sedução dessa imagem romantizada é tão forte que não só acumula admiração e suspiros no público leigo, mas sobretudo abduz o próprio senso critico de quem realmente realiza fisicamente as emanações sonoras; faz de músicos experientes meros serviçais.

O maestro é mais um no grupo. Ponto. Sozinho, o maestro não é ninguém; por mais que ele se esforce, sua batuta no ar não produz mais que um leve suspiro. Sem ninguém à sua frente, a orquestra, por outro lado, pode inclusive funcionar melhor. Os músicos ali sentados delegam ao regente uma autorização temporária para permitir que ele conduza os trabalhos como centro unificador das ideias. Pelo bem da realização geral, os músicos abrem mão de convicções pessoais de interpretação para um entendimento comum, e o maestro representa essa coalizão. 

É fácil, por outro lado, estravasar essa fronteria e perceber que os músicos sentem-se excessivamente devedores ao regentes, da mesma forma que as pessoas enganam-se a ufanar políticos como donos de um poder absoluto, quando na verdade esse poder emana do desejo social e coletivo pela coalizão. Esse poder, sem demagogias, pertence tanto ao povo quanto aos músicos.

Quem teve paciência de me acompanhar até aqui deve estar perguntando-se se não me acho parcial demais; se o fato de grandes regentes como Toscanini, Mahler, Bernstein e Karajan não realocaram a tradição orquetral num novo patamar performático (não mais alto ou baixo, mas efetivamente diferente); eu posso responder que sim, mas que essa parcialidade não é gratuita. Penso que muito se fala a respeito dos maestros como divas e esquecem-se dos que efetivamente atuam na realização sonora. Acho que todo maestro deveria sentar nas fileiras de orquestra, e repensar sua função em relação a isso, sempre. O "poder" por trás da batuta não é efetivamente seu, mas delegado.   

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A propósito, reger sem batuta por si não diz absolutamente nada a priori, mas sempre me chama a atenção ver maestros como Boulez ou Harnoncourt, ambos especialistas em sua área, em suas performances.




Conformismo...


 "Não se preocupe, deus está  vendo..."

As pegadas...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"O inferno são os outros..."

"Um ateu morre e vai para o céu. Chegando lá é recepcionado por São Pedro:
- Hummm… (lendo o livro da vida pregressa do ateu)… infelizmente meu filho, você não pode adentrar no reino celestial. Você, desde jovem, declarou-se ateu. Até mesmo no leito de morte, você ficou firme no seu ateísmo. Lugar de ateu é no Inferno.
Resignado, o ateu desce às profundezas abissais em procura da entrada do Inferno. Lá chegando tem um choque. A entrada do Inferno parece-se com aqueles grandes cassinos de Las Vegas. Logo na entrada, lindas mulheres recepcionam o ateu.
Extremamente surpreso o ateu adentra no Inferno e é recebido por um homem elegantemente vestido com um terno branco e uma flor no bolso do paletó.
- Seja Bem-Vindo, meu grande amigo! (diz efusivamente) Eu sou Satanás, seu anfitrião por toda a eternidade e qualquer coisa que você queira é só pedir diretamente para mim ou para aquelas lindas mulheres. (abaixando a voz) A ruiva de vestido preto vai te levar à loucura.
A imagem do inferno era fabulosa: uma longa pradaria onde o comum era a relva baixa e flores. Ao fundo uma pequena sequência de montanhas.
Percebia-se um pequeno rio à esquerda, onde o ateu reconheceu Nietzsche e Voltaire, com varas de pescar em uma mão e um copo de vinho na outra. Riam alto! À direita, num restaurante com uma enorme varanda, o ateu discerniu somente numa mesa Thomas Paine, Robert Ingersoll e Thomas Jefferson, este último acenando e apontando para um livro em sua mão. Era o último livro de Richard Dawkins.
Confuso, desnorteado, o ateu não consegue entender o que está acontecendo. Só ouve o Satanás ao seu lado, falando como se fossem dois grandes amigos tomando cerveja num barzinho. E ele não parava de falar:
- Meu amigo, aqui você poderá fazer tudo o que você sempre quis. Nada é proibido, desde que você obtenha prazer. (acenando para um homem que passava). Oi Giordano!
O homem retorna o cumprimento. O ateu curioso pergunta:
- Aquele era Giordano Bruno?
- Hã? Ahh… sim! Desculpe-me por não apresentá-lo, mas não se preocupe, pois irá conhece-lo nas noites de quinta-feira. Todas as quintas fazemos jogatina, após o jogo de futebol. O único que não joga é o Karl Marx.
De repente, interrompendo a conversa, o céu fica escuro com nuvens negras e ventos fortes, com descargas de relâmpagos e trovões que parecem anunciar o dia do Juízo Final.
O ateu vê que a pradaria, outrora linda, virou uma fossa abissal que expelia de suas entranhas, labaredas sulfurosas, como línguas demoníacas.
No meio do céu tempestuoso, um homem aparece, gritando loucamente e ardendo em chamas, caindo diretamente na fossa aberta no chão. Tão logo o homem é engolido pelas chamas, tudo volta ao que era antes. A pradaria, Nietzsche e Voltaire no rio e Satanás não parando de falar, como se nada tivesse acontecido.
Perplexo pelo o que viu e não se contendo em curiosidade perante a passividade de Satanás o ateu pergunta:
- Que porra foi isto?
Satanás responde:
- Era um evangélico. Eles preferem o Inferno desta maneira."


Copiei do Bule

Ronaldinho Gaúcho, o verdadeiro fenômeno

Digam o que disserem, esse cara joga muito.


domingo, 27 de março de 2011

Philippe Jaroussky

O frances dublador do castrati Farinelli em filme homonimo.

O Canon de Pachebel...

Da série "é Old mas é Gold". E em instrumentos de época.

"Crash into me"

Uma banda legal, boa música pontuando a noite... A produção fantasiosa, interpretação e o festival de caretas de Dave Mathews em sua música "Crash in to me".

sábado, 26 de março de 2011

Ele deu a volta por cima? José Arruda, Revista Veja e a piada pronta...

Em matéria publicada no site da revista Veja, o ex-governador José Roberto Arruda fala de ética e moralidade enquanto estava preso no ano passado. O detalhe é que a entrevista foi concedida antes das eleições e só foi publicada agora. Por quê? Dentre uma série de fatores, as pessoas que ele expunha e as eleições que se aproximavam.

O repórter autor da entrevista também foi o da matéria sobre Elenice Guerra, Diego Escosteguy, que saiu da revista pouco depois pela péssima relação que mantinha com o editor de Veja. Estando trabalhando na revista Época, o jornalista pediu autorização à revista para publicar a sua matéria; a autorização foi concedida, mas a revista Veja acabou publicando a matéria sem os créditos na versão online. 

Mas do que trata a entrevista? De pérolas dignas de um livro de auto-ajuda, não fosse seu autor quem fosse.

"Os problemas éticos nas casas legislativas são facilitados por uma legislação política e administrativa totalmente atrasada e incompatível com o momento político que o Brasil vive."

"[meu limite] É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição.

Opa, espere um pouco. Não lembra quem é José Roberto Arruda? Segue dois vídeos 'educativos' dele. O primeiro resultou na operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, com 29 mandados de busca e apreensão.


E o segundo é um clássico. Lembro de ter acompanhado isso ao vivo na época. Os primeiros 2:30 minutos são sua defesa apocalíptica e inflamada da calúnia da qual se dizia vítima, suaresponsabilidade na violação do sigilo do painel de votação do Senado. A partir daí até o fim do vídeo, é a sua retratação 4 dias após (mais rápido que a reconstrução da rodovia no Japão!!) o primeiro. Depois do depoimento de Regina Célia Borges, sua versão ficou insustentável e ele teve de vir a público desmentir. No episódio, ele e o senador Antônio Carlos Magalhães ("ah, que saudade eu sinto da Bahia") tiveram de renunciar para não serem cassados. Depois voltaram nas eleições, mas isso é outra história.
Observe o contraste, o descaramento e o nivel de sinismo que chega uma pessao pública, pago para representar as pessoas e decidir as questões sobre educação e cultura, entre outras.


E isso tudo enquanto eu e você lutamos feito um condenado para viver, aprovar projetos com verbas miseráveis, receber bolsas que são uma piada. Nem falo das necessidades básicas da população em geral, porque seria covardia.

Em resumo, invocando Hamlet, tem ou não tem algo de podre no reino da "Dinamarca"?

Audições na OSB 5

Matéria divulgada no blog do Nassif sobre a entrevista de Roberto Minczuk em 23/03/2011, a respeito das audições realizadas na OSB. Ao que parece as audições terminaram na segunda passada e dos 82 músicos, 35 vieram. Posto em seguida dosi comentários dessa matéria no próprio blog do Nassif, que julguei pertinente por serem feitos por dois músicos conhecidos e ambos ex-executantes da OSB. Demonstram pontos de vista e ênfase diferentes, como se há de notar.
Segue a entrevista.

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"Vamos repatriar nossos 'Ronaldinhos"

Roberto Minczuk, regente-titular da OSB, anuncia seleção em Nova York e Londres e desejo de recuperar talentos brasileiros no exterior
Hoje à tarde, músicos e direção da Orquestra Sinfônica Brasileira tentam reconciliação no Ministério do Trabalho
Joel Silveira - 22.out.2004/Folhapress
Maestro Roberto Minczuk à frente da OSB
CRISTINA GRILLO
DO RIO

Pela primeira vez em seus 70 anos, a OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira) fará, em maio, seleção no exterior para contratar instrumentistas. As sessões acontecerão em Londres, em Nova York e no Rio. Há 13 vagas abertas-algumas há mais de dois anos-, mas o número de contratações é indefinido.
Desde janeiro, a orquestra enfrenta uma crise por causa da decisão de avaliar seus músicos. Apenas 35 dos 82 instrumentistas compareceram às audições -os que se recusaram a participar podem ser demitidos.
"Vamos repatriar nossos "Ronaldinhos'", diz Roberto Minczuk, 43, diretor artístico e regente-titular da OSB, sobre a possibilidade de trazer do exterior músicos brasileiros de alto nível.
Hoje será um dia decisivo para a OSB. Em reunião à tarde no Ministério de Trabalho, as duas partes tentarão chegar a um acordo.
Enquanto os músicos querem a suspensão das avaliações, a direção propõe a reabertura do plano de demissões voluntárias -ou seja, sinaliza que aqueles que não participaram das avaliações serão demitidos.
À Folha, Minczuk nega a fama de ríspido e diz que não pretende, por ora, levar a OSB ao exterior. 

Folha - As audições de avaliação terminaram na segunda. Qual é o balanço final?
Roberto Minczuk
- Dos 82 músicos que deveriam se apresentar, 35 vieram. Temos seis atestados médicos, então essas audições serão remarcadas. Fiquei surpreso. Desde o início, deixamos claro que o intuito não era demitir ninguém, mas dar "feedback" para os músicos e resolver questões da orquestra.
Quais?
A OSB não tem relatórios escritos de avaliações até 2006. A partir daí, temos registro de tudo. Sabemos que, antes, as audições eram feitas com certa informalidade, com repertório simplificado.
Vários músicos nunca fizeram concurso para entrar na orquestra. Temos casos de posições chave, de solistas e até de spallas [o primeiro violino da orquestra] que nunca passaram por audição.
Outra finalidade era dar oportunidade aos integrantes de ocupar categorias superiores. Tenho 13 posições abertas na orquestra há muito tempo. Vários músicos se candidataram a essas posições nas audições. Um de nossos violistas foi promovido após a avaliação.
Só com audições individuais é possível identificar exatamente a afinação de cada um, o vibrato [a oscilação da corda de um instrumento], a qualidade dos instrumentos de cada um...
Percebemos que alguns precisam adquirir instrumentos de qualidade superior. Agora, com a remuneração entre as melhores do país, eles poderão fazer isso. É o que vai fazer a diferença do bom para o ótimo, do ótimo para o soberbo.
Os músicos se queixam de que o nível de exigência do repertório escolhido para as avaliações foi muito elevado.
O exigido é o "standard", o que foi tocado nas últimas temporadas: Beethoven, Brahms... Além disso, pedi uma peça solo, que demonstra o conhecimento de estilo, sonoridade, afinação, coisas básicas, e uma peça de livre escolha. É o básico para qualquer bom músico em qualquer lugar.
Tiveram dois meses, um de férias, outro de trabalho, em que a orquestra pagou para que se preparassem. Um bom músico, em minha opinião, prepara um repertório desses em três semanas.
Estamos oferecendo salários de R$ 9,3 mil a R$ 11,3 mil. Vemos a Osesp crescendo, a orquestra de Minas crescendo. Como a OSB pode ficar acomodada?
Teremos audições abertas em maio no Rio, em Nova York e em Londres. Já temos brasileiros que estudam ou atuam lá fora inscritos.
É a primeira vez que fazemos isso. Agora, com salários competitivos, conseguiremos até repatriar os nossos "Ronaldinhos".
No primeiro semestre, vamos completar a orquestra e, no segundo, quando passa a vigorar a nova remuneração, teremos mais ensaios, mais dedicação. Os ensaios serão de manhã e à tarde, coisa que a OSB nunca fez.
Como é atualmente a rotina da orquestra?
O máximo que a orquestra trabalha é até sete ensaios ou concertos por semana, cada um com no máximo três horas. Vamos passar a ter nove funções semanais, com ensaios à tarde como faz a Osesp e orquestras lá fora.
Isso vai exigir dedicação maior. Temos músicos que tocam em mais de uma orquestra. Cada um vai ter que tomar sua decisão.
O que vai acontecer com os músicos que faltaram?
Essa é uma questão administrativa, jurídica, que não cabe a mim.
Mas como diretor artístico, o que o senhor pode fazer?
O conselho vai decidir sobre essa questão. A partir daí, vamos ver como proceder artisticamente.
Será possível continuar a trabalhar com os músicos que se recusaram a ser avaliados?
É cedo para dizer. Temos que nos reunir, conversar. A questão foi levada à Justiça.
Como foi o desempenho dos que participaram?
Foram bem avaliados. Pretendo me reunir com cada um, fazer ajustes.
Os músicos se queixam de que o senhor é ríspido.
Gostaria que os ensaios fossem transmitidos pela internet. Isso acabaria com esse negócio de dizer que sou ríspido. Sou intenso, muito exigente, mas não sou ríspido. Sei exatamente como cada músico deve tocar.
Evidentemente, se uma pessoa comete o mesmo erro três, quatro vezes, mudo a forma como estou pedindo.
De zero a dez, que nota daria à orquestra?
Há aspectos técnicos, de emoção e de performance a serem levados em consideração. Seriam notas diferentes.
A orquestra tem muita garra, mas precisa aperfeiçoar afinação; é brilhante, mas tem que ser mais precisa tecnicamente. Há ainda variação de concerto a concerto.
O que queremos é constância, uniformidade. Na temporada 2010, fizemos concertos excelentes, outros abaixo da expectativa.
O senhor teria confiança de levar a orquestra hoje para uma turnê no exterior?
Ainda não. Por isso precisamos passar pelo processo pelo qual estamos passando."



COMENTÁRIOS

Paulo Sérgio Santos

"Eu sou clarinetista ha mais de 40 anos. Nunca estudei no exterior. So dei aulas e toquei e toco no exterior. Algumas pessoas veem estudar comigo vindo do Japao, Europa e Estados Unidos. So toquei musica brasileira fora do Brasil, erudita ou nao, porque toco as duas coisas e dizem que bem.
Fui primeiro clarinetista durante 18 anos na Orquestra Sinfonica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e ha uns 18 sai dela. Toco no Quinteto Villa-Lobos desde 1977. Nos ultimos anos, fui convidado a participar em concertos na Osesp e OSB. Nunca aceitei porque a remuneracao proposta sempre foi ridicula em relacao ao que ganham os maestros destas instituicoes completamente e, na minha opiniao, burramente endeusados.
Nao tenho NENHUM interesse em relacao ao que se faz na Europa, Japao ou Estados Unidos porque eu tenho compromisso com a musica que eu tenho na minha cabeca e alma. Isso me basta!
Concordo totalmente com a exposicao do Carlos Henrique Machado e repudio totalmente quem utiliza a admiracao pela musica e cultura  europeias para DIMINUIR o que ee feito ou foi feito no Brasil.
Eu nao troco a musica do Brasil POR NENHUMA OUTRA DO MUNDO! E conheco musicos brasileiros que nao estudaram no exterior e sao IMBATIVEIS! Pensar em construir orquestras e centros culturais baseados na cultura europeia ou em outra qualquer, para mim (e Mario de Andrade!), eh um grande erro. Um erro crasso que soh eh frequentemente cometido por pessoas que tiveram a infelicidade de nascer no Brasil pois queriam ser europeias ou americanas ou japonesas. Desconheco algum concurso realizado pela Filarmonica de Berlim ou Chicago ou Viena ou Venezuela (que tem uma qualidade excepcional e poucos sabem!) que tivesse audicoes no Rio de Janeiro ou qualquer outra capital brasileira.
Dizer que o Brasil nao tem escola de musica ee o maximo da PRETENSAO e TUPINIQUISMO! Brasileiro que age ou pensa desta forma deveria ser convidado a se retirar do Pais ou ser preso! Chega de "complexo de vira-lata"!
Para mim, Villa-Lobos nao esta entre os 10 melhores compositores do mundo e sim ocupa os 10 primeiros lugares. Depois a gente fala em Bartok, Ligeti, Xennakis, Pierre Boulez dentre tantos outros excelentes compositores.
O mundo estaa muito cheio de cronometros, estatisticas  e planilhas e gente boba e equivocada que se impressiona muito com os aparentes resultados maqueados e tecnologia sensacionalista.
Pior do que estas pessoas acometidas por este mau sao as outras IGNORANTES que, poderosas, conferem tanto poder e importancia a individuos e pensamentos completamente malignos e  consequentemente mediocres! Alguns sao tao talentosos mas se encontram apodrecidos na sua essencia, doentes e paranoicos, nutridos por essa seiva cujos nutrientes sao o  poder financeiro, o poder da midia, a falta de consciencia e a falta do verdadeiro conhecimento do assunto.
Esse comportamento lamentavel ee que nos assegura a qualidade de TERCEIRO MUNDO e nao o inverso!
Gloria aos tupiniquins!
Quando isso vai mudar? EU NAO SEI! Talvez nao mude."




Fernando José Silveira (respondendo a um comentário anterior)
"Caro Brejtmann,
O que você está sujerindo é que contratemos Regentes de fora?? Sua comparação ao futebol, pelo menos para mim, indica isso.
Uma pergunta que o Sr. Minczuk não tem resposta se reporta à sua formação como regente: ele simplesmente não tem! SIM, ele não possui uma formação em regência! Porquê os músicos precisam ter uma formação sólida - em escolas de música e universidades de renome - e ele não?? Parece que os pensamentos do Sr. Minczuk quanto à qualidade musical só não dervem para ele...
Quanto à qualidade de seu trabalho, bem... Trabalhei com ele na OSB durante seus primeiros quatro anos e, comparado a outros grandes maestros com quem trabalhei - como I. Karabichevisky, Masur, Rostropovich etc - podemos dizer que ele ainda é um aprediz. Talentoso?? SIM! Mas, por enquanto só isso...
SIm, o Brazil já teve sua fase de importar regentes e músicos de fora (ou que obtiveram sua formação fora do Brasil) que pudessem contribuir para o desenvolvimento da música por aqui. Nomes?? Noel Devos, José Botelho, Zdenek Svab, Jean Noel Sagard, Szenka etc... Mas hoje, posso te garantir que tanto na música popular quanto na música 'erudita' temos qualidade suficiente para nos sustentarmos.
Não é verdade que não temos escolas de música incapazes de formar bons músicos. É verdade que encontramos mais dificuldades - principalmente no que tange à recursos materiais. Porém vejo que encaramos estas dificuldades com muita responsabilidade. Temos excelentes professores em todos os cantos de nosso país. Digo isso porque, nos últimos 5 anos - tenho sido constantemente convidado a dar aulas e a tocar por todo o mundo e posso atestar que nossos músicos não deixam nada a dever as colegas estrangeiros. Muito pelo contrário: o contato com nossa rica cultura brasileira permite ao músico brasileiro diferenciais que outros gostariam de ter...
Cabe a pergunta: por que o 'mundo da música' se coloca firmemente contra as decisões do Sr. Minczuc?? Eles não são brasileiros e nos apoiam porque querem... Será um complô contra o Sr. Minczuk?? Ou será que os problemas referentes à música só podem ser realmente entendidos por que dela participa e conhece??"


O Japão e a reconstrução do país

Dia desses vi uma piada que comparava a capacidade de superação japonesa com a nossa, brasileira. Diziam que mais rápido o Japão reconstrói o país inteiro que o Braisl termina um único estádio para a copa do mundo de 2014. Claro, isso não é piada, mas uma triste realidade no nosso caso. O Japão, por outro lado,  pode ter uma série de problemas culturais, mas forçosamente, são imbatíveis na própria superação.

Pois bem, eis que sou surpreendido com a notícia vinculada pelo portal do G1 sobre a reconstrução de uma rodovia em absurdos seis dias!! Sim, isso mesmo, SEIS DIAS! E com fotos pra comprovar...

11 de março de 2011


17 de março de 2011


Bom, sem comentários. Nem preciso dizer que se fosse por aqui, ainda estariam "estudando" uma forma de realizar a melhor licitação, no bom interesse de alguns, o que levaria a materiais de segunda categoria, camada de asfalto fina, entre outras coisas.
Particularmente, não sou desses que acha que tudo que é lá de fora é o melhor. Mas acho que um patriotismo sem sentido não nos ajuda. Temos muito o que melhorar em nossa política, nossa cultura, nosso conhecimento geral, e devemos ser nossos maiores críticos, exatamente porque somos nós que melhor conhecemos nossas fraquezas e problemas.

Exportamos matéria prima, somos privilegiados geologicamente, temos uma diversidade étnica vivendo em invejável harmonia, MAS ainda somos incipientes em gerir nossa sociedade numa trilha sustentável, sem que alguém saia ganhando absurdos em detrimento da perda substancial e diária de muitos outros; frequentemente, os já tão pobres e miseráveis. E basta que a imprensa retire-se das manchetes diárias que nada mais é feito. Arrisco-me a dizer que muitas das vítimas da enchente em Nova Friburgo ainda esperam por socorro, bem como a reconstrução da cidade.

Se a sociedade que queremos é aquela que plantamos, e a julgar pelo que plantamos em linhas gerais, ainda vamos demorar um pouco a colhê-la.

Fonte da matéria e fotos: G1.

sábado, 19 de março de 2011

Audições na OSB 4

Matéria publicada por Nelson Rubens Kunze, na versão online da revista Concerto. Segue:

"Por uma nova OSB (12/3/2011)
Por Nelson Rubens Kunze

 

Estou acompanhando atônito os desdobramentos da crise da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Como todos sabem, músicos se rebelaram contra um processo de reavaliação de performance decidido pela direção da orquestra e pela Fundação OSB. A ideia, segundo tem repetido insistentemente o maestro Roberto Minczuk, é a de reclassificar artisticamente o grupo. Músicos protestam e boicotam as audições, na internet ecoam queixas e até o blog do influente crítico inglês Norman Lebrecht entrou na história [clique aqui para ler].

Surpreendeu-me a dimensão que o assunto assumiu. Estamos falando da reavaliação de instrumentistas de um grupo que há pouco mais de 5 anos era um simulacro de orquestra. Simulacro mesmo! Não foram raras as vezes em que a Revista CONCERTO lamentou a situação de penúria e abandono a qual a OSB, uma das mais importantes orquestras do país, estava relegada. Com a nomeação do maestro Roberto Minczuk, em 2005, a coisa mudou. Houve em sua gestão uma pequena revolução, que teve entre as suas principais conquistas a revalorização do músico e de seu trabalho. Não será isso o que significa a realização de temporadas sinfônicas com renomados solistas e maestros internacionais (Kurt Masur já seria suficiente, mas é uma lista extensa)? Ou concertos com teatros lotados em palcos nobres como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro ou a Sala São Paulo? Ou ainda salários e remunerações pagos mensalmente? Há poucos anos não era bem isso o que se passava.

Mas a pequena revolução não foi apenas do maestro Minczuk. Houve um grande empenho para mobilizar um atuante conselho para a Fundação OSB (isso não deve ser desprezado, seu conselho reúne personalidades eminentes e um presidente com raro engajamento), houve empenho para conseguir formar uma administração moderna e eficiente com profissionais que estão entre os mais preparados do ramo, e, talvez o mais importante, logrou-se sensibilizar grandes patrocinadores e apoiadores. Após anos de sufoco, a OSB começou a respirar novamente. Isso, no Brasil, é uma pequena revolução. Desconfio que no Rio de Janeiro seja um tsunami cultural...

Mas sejamos realistas: a orquestra, em uma escala de 0 a 10 , foi, digamos, de 3 para 6. Não é pouco, pelo esforço que custou e pelo movimento que causou. Mas está muito aquém do que a cidade do Rio de Janeiro e o Brasil merecem. A Cidade Maravilhosa quer uma grande Orquestra Sinfônica Brasileira, profissional, geradora de cultura e inserida no debate cultural contemporâneo. Uma orquestra que possa orgulhar o país que abrigará a Copa do Mundo, e que possa orgulhar a cidade das Olimpíadas de 2016. E convenhamos que para isso falta alguma coisa.

A Fundação OSB não está propondo uma reavaliação de performance de uma orquestra consolidada em um grande centro europeu ou norte-americano. Também não se trata de reaudições em algum conjunto do interior da Inglaterra ou de uma orquestra de alguma cidade da província alemã. Creio que o que se pretende é a construção – sim, estamos em pleno processo de construção! – de uma moderna orquestra sinfônica internacional em uma das mais belas metrópoles do mundo, em um país que recentemente alcançou à sétima posição na economia global. A OSB, com sua história de 70 anos, merece essa oportunidade, e desde alguns anos há um esforço evidente nesse sentido.

Posto isso, parece coerente a decisão da Fundação OSB em promover a avaliação de performance como medida para a classificação artística de seus instrumentistas. Não será uma imposição unilateral e autoritária guiada pela vontade do maestro ou diretor artístico. Haverá uma banca internacional, isenta e imparcial. E o processo terá uma contrapartida, que é um novo patamar salarial. Assim a Fundação OSB finalmente estabelecerá condições para um vínculo empregatício que poderá garantir, também, a necessária segurança para futuras aposentadorias.

Oxalá a OSB possa seguir contando com o grupo de exímios instrumentistas que hoje a integra, e que contribuiu decisivamente para o atual nível de suas realizações. E que o processo auxilie também para o amadurecimento de modernos processos de gestão, próprios de uma orquestra sinfônica do século XXI."

quarta-feira, 16 de março de 2011

Edvirges...

Sentada na soleira da porta, ela passava o dia vigiando as pessoas que ali passavam
E a vida da cidade era como uma grande parada que se descortinava em desfile à sua frente
Contudo, embora nada que se passasse fora de si lhe escapasse,
Tão embebida estava com o alheio
Era cega, surda e muda ao único fato digno de nota naquele hábito:

Fazendo da vida dos outros a sua, transferia a eles o objetivo da sua própria...

Tinha motivos de sobra para rir das situações mais banais, de condenar, comentar
Ser juiz e júri de uma infinidade de casos, todos sob sua onisciente jurisdição
Mas ela mesma não lembrava de quando havia voltado tão judicioso crivo contra si
E não lembrava do último grande amor que teve, se já o teve
Nem nunca permitia-se rir de si própria; tornar-se ela a notícia
Não se arriscaria a ser alvo daqueles que, como ela, também varavam o dia nas janelas

Como sentinelas de um castelo abandonado, eram algozes e vítimas das celas que criaram

Como eles, ela também vivia através da compensação do saber sem vivenciar
E projetava na vida dos que não lhe diz respeito um sentimento de posse, uma legitimidade
Como se fosse sua por direito, embora nada daquilo lhe dissesse respeito de fato
Presa na sua ninharia, naquela cidade com umas poucas ruas, pequena e esquecida
Assim passava os dias, na soleira, testemunha de um drama que não era seu, 
Nem nunca poderia ser
Uma eterna coadjuvante da própria vida na peça que diariamente escrevia...

terça-feira, 15 de março de 2011

Carl Sagan renovado

A locução original de Carl Sagan para sua série Cosmos, com imagens ao redor do mundo atualizadas pela Nasa e legendadoi pelo Bule Voador. Recomendo ver em tela cheia.